Quilombinho


29/02/2008


PONTO DE CULTURA-2008

Notícias 

28/02/2008

Programa Territórios da Cidadania


 

O ministro da Cultura, Gilberto Gil, participou, no último dia 25, do lançamento do Programa Territórios da Cidadania, que traz 135 ações voltadas para o desenvolvimento regional e a garantia de direitos sociais, beneficiando 24 milhões de brasileiros.

A iniciativa prevê investimentos da ordem de R$ 11,3 bilhões, que devem chegar em até mil municípios brasileiros, apenas neste primeiro ano. Os 60 territórios foram escolhidos por apresentarem os menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do país e baixo dinamismo econômico.

O Ministério da Cultura irá destinar 22 milhões do seu orçamento ao programa. Com esses investimentos, serão criados 110 novos Pontos de Cultura e instaladas 151 bibliotecas em municípios que ainda não dispõem desse equipamento. O MinC também promoverá ações de modernização de bibliotecas em todo o país.

“O programa Territórios da Cidadania vem se somar a outros programas do MinC para atacar problemas latentes no país. Estamos, por exemplo, zerando o número de municípios sem bibliotecas. Ainda em 2008, pretendemos instalar, ao todo, 631 novas bibliotecas, pois já temos os recursos garantidos para 300 e ainda dependemos da votação do orçamento deste ano para garantir as demais”, explica o ministro Gilberto Gil.

“Também neste ano, chegaremos a cerca de 2.000 Pontos de Cultura. Em 2008, investiremos um total de R$ 104 milhões nesses Pontos. Esse é um número revelador, quando comparado com o nosso primeiro ano de gestão, pois o que investimos nessa ação equivale praticamente à metade do primeiro orçamento do MinC, em 2003″, completa.

“Este é um esforço concentrado do Governo Federal para superar de vez a pobreza no meio rural com um planejamento que alia visão territorial e eficiência nos investimentos públicos. O país está crescendo e já era hora de fazermos um programa desta magnitude para que ele cresça para todos”, ressalta o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, responsável pelo programa no conjunto do governo.

Fonte: www.cultura.gov.br

Escrito por Quilombinho às 14h54
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26/02/2008


MARACATU CEARENSE

Cortejos pintam o rosto em homenagem aos negros cativos

(...) Ô Maria, chama o pessoal, o nosso maracatu, ô Maria, já vai começar... O terreiro tá em festa, hoje é noite de luar, quero ver você, ô Maria, maracatucar, ô, maracatucar, ô, maracatucar.

Marcos Gomes sobe na cadeira para trocar a lâmpada dentro da sede do grupo Maracatu Az de Ouro, enquanto lá fora, na calçada-palco da rua Edete Braga, alguém alinha os fios e mexe nos botões da mesa de som. São quase 7 da noite, horário previsto para o ensaio de domingo.

Maracatu ou cambinda, termo da linguagem banto que significa “ir adiante, ir além”, “dança”, “batuque”, entre outras definições, é um cortejo – dança dramática – que re-interpreta os impérios portugueses e as reinages francesas (instituições tradicionais da Europa que coroavam anualmente seus reis), convergindo às tradições africanas. Deriva das nações do Rei do Congo e do Alto do Congo. A instituição Rei do Congo, criada na segunda metade do século 17, tinha por finalidade executar a parte administrativa e a representação do ato dos congos (teatro, música e dança). Os escravos coroavam seus reis e rainhas às portas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, em Recife, e à frente da igreja homônima (construída no século 18) em Fortaleza, na praça dos Leões.

Maracatu Az de Ouro. Foto - acervo Afrânio Rangel & Casa da Memória Equatorial

O Az de Ouro foi fundado em 1936 pelo tecelão cearense Raimundo Alves Feitosa. “Boca Aberta”, como era conhecido, voltou de Recife – onde trabalhara por três anos – com a idéia de criar o seu próprio maracatu. No Carnaval de 1937, em Fortaleza, o Az de Ouro desfilaria na avenida Domingos Olímpio com 42 participantes, usando adereços de morim e renda, costurados pela irmã de Feitosa e pelo alfaiate, e também fundador, Raimundo Nêgo.

Pessoas começam a se aproximar. Um senhor de barba branca recebe os cumprimentos dos amigos: é o Juca do Balaio, brincante mais antigo do Az de Ouro. “Eu funciono com o maracatu desde 1940. Tenho 82 anos e ainda levo esse barco pra frente.” Juca narra a história do grupo, os desafios, a evolução. Lembra da facilidade que Raimundo Feitosa tinha para compor letras: “Numa conversa da gente, ele criava uma loa. Depois eu fiquei com esse espírito dele, fazendo o mesmo trabalho”. Juca é o ancião – todos fazem questão de ir até ele e ouvir suas palavras.

Balaieiro - Xilogravura: JoãoPedro do Juazeiro do Norte
Balaio é o chapéu de frutas que o personagem (balaieiro) de Juca leva na cabeça durante as apresentações. Simboliza a fertilidade da terra: “O que a gente leva de fruta representa também o que os escravos levavam, porque naquela época não existia transporte, nem nada. Eles levavam na cabeça o balaio de fruta para vender nas casas, nas cidades. Eram os vendedores de frutas chamados ‘pregoeiros da liberdade’”. O ator Sílvio Gurgel lembra que, há muitos anos, quando terminavam os desfiles, os participantes do cortejo tiravam todas as frutas e comiam, “mas hoje não, porque o balaio é feito de plástico para ficar mais leve e mais prático”.

O grupo de Feitosa não foi o precursor do maracatu em Fortaleza, vez que no final do século 19 já havia registros da dança narrados pelo escritor Gustavo Barroso (1888-1959). No livro Coração de Menino, de 1939, ele conta suas lembranças juvenis dos maracatus do Outeiro e do morro do Moinho, que desciam para a cidade em “filas de negros cobertos de cocares escuros, com saiotes de penas pretas, dançando e cantando soturnamente ao som dos batuques e maracás”. Essa constatação, no entanto, não exclui o papel do “Boca Aberta” no incremento do maracatu cearense.

Durante décadas, o grupo Az de Ouro saiu apenas com homens, já que, segundo Feitosa (no jornal O Povo, 13 de maio de 1995), “as mulheres brincavam nos blocos delas, nos blocos das moças”. Dessa forma, os homens, não obstante o preconceito, travestiam-se para representar os personagens femininos. Ele mesmo, além de macumbeiro (quem inventa e canta as músicas), foi também rainha do Az de Ouro. Atualmente, homens e mulheres participam dos desfiles.

Foto: divulgação. Espetáculo Rei Leal
Na roda de prosa estão presentes o ator Beto, que há três anos faz o espetáculo Auto do Rei Leal, uma adaptação de Shakespeare que utiliza a estética do maracatu, e o músico Brenner, cuja banda Vigna Vulgaris estabelece a fusão de rock com a célula rítmica do Az de Ouro. Cada um assimila a mensagem do folguedo à sua maneira, transplantando-o para outras vertentes artísticas. É lá no bairro Jardim América, numa rua estreita e escura, que a tradição popular floresce.

O ritmo do maracatu cearense era semelhante ao coco, rápido, mas a partir de 1950 ganhou lentidão e dolência. Caixas, bumbos, chocalhos e o triângulo de ferro fazendo o repinique: um som seco e alto, semelhante ao atrito de espadas. É essa cadência arrastada a mais marcante do Ceará, embora varie em alguns grupos, gerando controvérsias quanto à ruptura das tradições. Feitosa dizia que a batida mais lenta e mais requebrada era “para as baianas ficarem requebrando mais bonito no meio da rua”.

Outra característica da solenidade cearense é a pintura do rosto “para a gente ficar bem mais escuro, mais parecido com as negras escravas, vindas da África”. As tintas do Az de Ouro ainda hoje são confeccionadas em processo artesanal – mistura de pó de lamparina, talco sem perfume e vaselina – porque, conforme explica Juca do Balaio, “as tintas industriais são muito secas”.

Foto: divulgação. banda Maracatu Vigna Vulgaris
Para o cineasta e escritor Rosemberg Caryri, a pintura do rosto é curiosa: “Na nossa cultura, nós tivemos um contingente de escravos negros pequeno em relação aos outros Estados. Isso faz com que os caboclos, os mestiços pobres da periferia, se pintem de negro, ‘sofrendo’ essa saudade da África mítica”.

Em 1979, pelo decreto municipal da gestão de Lúcio Alcântara, o 13 de maio passou a ser oficialmente o Dia do Maracatu, aludindo à data de abolição do escravismo no Brasil. Sabe-se, todavia, que o Ceará já havia declarado a extinção desse sistema em 1884.

Sete e meia, o batuque (bateria) é formado e os vizinhos sentam ao redor, nas calçadas, para assistir ao ensaio. O comerciante José Augusto trouxe a família para acompanhar: “É apaixonante.” A fila do ritmo começa com o triângulo, depois vêm a caixa e o surdo. São cerca de vinte instrumentistas. Logo, as dançarinas se posicionam. Ensaiam passos e coreografias. Algumas crianças tentam imitar. Atrás do microfone, Alê S. pede mais ânimo: “A gente não escutou a galera cantando o refrão. É muito importante o batuque cantar porque fica o conjunto completo”.

No ensaio de domingo estão apenas as baianas, o batuque e o maculelê. Mas, quando figuram na avenida, o cortejo cresce e é dividido em alas. Na corte real, a rainha é a figura principal, expressando a predominância do primitivo domínio da mulher na formação familiar africana. O rei e a rainha são protegidos pelo pálio ou chapéu de sol, de cores vistosas (herança da África Setentrional). Completam a corte: príncipe, damas de honra, embaixadores, vassalos, damas do paço e baianas. Lampiões (combinação mista de herança da liturgia católica, das procissões, culto ao fogo e estilização do archote) iluminam o caminho, envolvendo a dança.

A ala das negras inicia com a calunga, uma pequena boneca vestida de baiana: símbolo da sobrevivência totêmica das tribos e nações africanas escravizadas no Brasil. Silvio Gurgel assinala que é “como se fosse a filha de todo o maracatu”. No livro Folguedos Natalinos - Maracatu, o folclorista alagoano Theotônio Vilela Brandão (1907-1981) afirma que a calunga também fora denominada Santa Bárbara. Nas reinages e impérios, era costume levar na mão ou em charola a imagem do santo padroeiro para esconder o nome de Xangô, orixá dos raios, o qual denomina os cultos negros do Nordeste. Por isso, o pesquisador alagoano, em seu livro, incluiu o maracatu nos autos de Natal.

Coroação de uma Rainha Negra. Xilogravura: João Pedro do Juazeiro do Norte
O ápice do cortejo acontece quando o rei e a rainha são coroados: uma possível rememoração do coroamento da rainha Ginga, soberana negra de Angola que combateu os colonizadores portugueses. As negras saem em fileiras, solicitando individualmente a “bênção real”. Depois voltam e continuam dançando. Durante a coreografia, a baiana Malu abre os braços em sinal de agradecimento. Ela diz que é uma “reverência à Oxalá”. Muito satisfeita, conta que o ensaio também lhe serve de “terapia contra o estresse da rotina”. Outra brincante da ala das negras, a pedagoga e pesquisadora Denise Azevedo, diz que conheceu o maracatu através dos seus alunos. Mesmo assim, afirma ter sido prejudicada pela direção da escola em que lecionava, pois esta não via o maracatu com bons

Outra presença marcante no cortejo é a ala dos índios. O Ceará teve muita mestiçagem entre as culturas tapuia e ibérica: a chamada “civilização do couro”. “Houve no período colonial o encontro do negro com o índio. O negro que fugia para os quilombos muitas vezes encontrava os índios no sertão, lá no fundo, e passava a conviver”, explica Rosemberg Caryri, que executa diversos trabalhos de pesquisa e resgate da cultura popular nordestina: filmes, textos e gravações de CDs, como o Maracatus & Batuques (coleção Memória do Povo Cearense, volume V). Seu filho, Petrus Caryri, segue o exemplo. É dele o documentário Maracatu Fortaleza, de 2003. O filme traz depoimentos das principais autoridades “maracatuzeiras”, alternados com imagens de cortejos.

Há pouco, no intervalo, alguém havia reclamado que o ritmo estava acelerado. Um fusca amarelo interrompe provisoriamente o ensaio. O batuque e as baianas abrem espaço para o carro atravessar, mas logo retornam. Pingo de Fortaleza acompanha o batuque com seu violão. Do palco-calçada, sugere que respondam ao refrão olhando para o céu, para incrementar a dramatização.

Um grupo de capoeira comparece atrás do batuque. Cada componente porta dois pedaços de pau. Não, a intenção não é brigar, e sim dançar o maculelê. A Associação Palmares desfila com o Az de Ouro há quatro anos. “O maculelê também é uma dança afro-brasileira, e foi trazida para dentro da capoeira através do mestre Bimba”, afirma Ernesto, o mestre Índio. Inovação importante. “A gente vê que o ritmo daquele balançado tem tudo a ver com o maracatu”.

Após alguns acertos e muitas loas, o ensaio termina, por volta das 9 horas da noite. Hora de guardar os instrumentos. Marcos Gomes pede voluntários para a fabricação de roupas, e avisa que precisa de fotos para a carteirinha das crianças. Ele preside o Az de Ouro desde 1993. Marcos pensa no maracatu para além do Carnaval: “Hoje, a idéia é transformar o maracatu em entidades socioculturais para trabalhar com a comunidade em todas as áreas: música, pintura e demais artes”.

Macumbeiro do Az de Ouro, 1967. Doação de Afrânio.

Ano passado, o Az de Ouro desfilou na avenida com 280 pessoas. Em 2005, a participação aumentou em cerca de 10 por cento. “Os brincantes comparecem mais em época de Carnaval. Fora isso, a gente tem a necessidade de buscar as pessoas durante o ano inteiro.” Com a loa A Paz de Oxalá, a agremiação conquistou o terceiro lugar entre os oito maracatus que concorreram ao prêmio. Em Fortaleza, as agremiações carnavalescas são divididas em blocos, cordões, escolas de samba e maracatus. Nestes, os juízes observam seis quesitos: porta-estandarte, fantasia, balaieiro, rainha e batuque. Em sua história, o Az acumula dezoito títulos de Carnaval.

Segundo Juca do Balaio, já tentaram excluir o maracatu das festividades de Momo, alegando ser “uma coisa muito lenta, que deveria estar apenas no dia do folclore”. Felizmente não vingou, continuando o maracatu a ostentar sua beleza na avenida. Os turistas e as pessoas da cidade prestigiam os desfiles sem economizar aplausos, fotos e sorrisos. “Quando eu comecei, o maracatu era bem pobrezinho, aí a gente foi melhorando a estrutura e hoje tem mais luxo, chama mais a atenção do público”, conta José Ferreira de Arruda, que há 46 anos sai como rainha do Az de Ouro.

Há promessas de maior investimento para o Carnaval de 2006. No orçamento de 2003, a Fundação de Cultura, Esporte e Turismo de Fortaleza (a Funcet) captou 50.000 reais para suas atividades, inclusive o Carnaval. Quantia singela, se comparada aos 4 milhões investidos pela prefeitura de Recife em 2005.

Erivaldo Casemiro, diretor da Funcet, afirma que há um projeto para fazer o Carnaval nas seis regionais da Grande Fortaleza, com bailes infantis e adultos. O orçamento previsto para 2006 é de 900.000 reais: “Estamos fazendo um plano para pré-Carnaval, Carnaval e pós. Iremos fazer oficinas de dança, música, figurinos e preparação de adereços”. Esse projeto tem a parceria da Funcet com a Federação das Agremiações do Ceará. Erivaldo afirma também que será feito o “resgate do Museu do Maracatu, com uma infra-estrutura necessária”.

(...) Ô Virgem do Rosário, é chegada a hora, levanta a bandeira, vamos embora. Adeus, Cambimba, adeus, adeus, Cambimba, adeus...

Raimundo Feitosa deixou herança singular na cultura cearense: pensou em algo diferente para desfilar na sua terra e conseguiu. “Hoje está todo mundo querendo criar um maracatu, e em toda parte que você anda só se fala em maracatu. Muita gente consegue êxito através do maracatu”, orgulha-se Juca do Balaio.



João Mauro é jornalista.

Escrito por Quilombinho às 10h11
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O CABOCLO EM RITUAIS PUBLICO DE UM TERREIRO DE SÃO LUIS/MA

 

O Caboclo em Rituais Públicos de um Terreiro de São Luís: Mina, Cura, Baião, Canjerê e Samba de Angola na Casa de Fanti-Ashanti

 

                                               Mundicarmo FERRETTI [1]

 

INTRODUÇÃO

 

A integração do 'caboclo' na religião de origem africana no Maranhão é algo tão generalizado que, excetuando-se a Casa das Minas-jeje, todos os terreiros de São Luís recebem entidades espirituais daquela categoria, mesmo a igualmente centenária Casa de Nagô, também fundada por africanas. De acordo com 'mineiras' antigas, a introdução do caboclo na Mina maranhense ocorreu há muitos anos, quando os terreiros mais antigos eram chefiados por africanas.

Geralmente, nas casas de Mina mais tradicionais, as festas ou rituais só para caboclo são pouco freqüentes e quando ocorrem são realizadas sem grande destaque. Os caboclos participam, no entanto, de todas as festas de santo, dançando com voduns, na 'mesma roda'. Contudo, alguns terreiros maranhenses realizam também festas só para caboclo ou para determinadas 'linhas' de caboclo, como: o Borá (de Mãe Elzita), o Tambor de Índio (da falecida Mãe Mariazinha), e o Canjerê (da Casa de Fanti-Ashanti).

Em São Luís o caboclo está integrado na Mina e nos outros "sistemas" religiosos mantidos pelos terreiros como: Cura (Pajelança de origem indígena, existente em muitos terreiros de Mina), catolicismo popular (que aparece de forma bastante clara nas festas de Espírito Santo), e no Candomblé (de Caboclo), realizado na Casa de Fanti-Ashanti, depois de 1981, com o nome de Samba Angola, onde os boiadeiros apresentam-se como filhos dos orixás, e também encontrado em terreiros de Umbanda Omolocô (como o de Pai Ribamar Castro).

A presença do caboclo nos terreiros de Mina, embora seja um atestado de que a religião dos africanos não chegou aos nossos dias sem sofrer alteração (como era de se esperar), não deve ser encarada como sinal da não valorização ou da não continuidade da tradição africana. A Casa de Nagô, a de Fanti-Ashanti, a de Iemanjá (de Pai Jorge), e muitos outros terreiros de São Luís que tem caboclo orgulham-se de suas origens africanas e de seus voduns e tem consciência de que são depositários de um saber que veio da África e que precisa chegar, a todo custo, às novas gerações.

O caboclo no Maranhão não é, necessariamente, índio ou representante de outra categoria popular brasileira. É, muitas vezes, filho de um rei estrangeiro, como os da família de Turquia (Mensageiro de Roma, Guerreiro de Alexandria e outros). O caboclo da Mina é, antes de tudo, uma entidade não cultuada na África pelos iniciadores do culto dos voduns no Maranhão (os jeje e os nagô), daí representarem uma modernização ou adaptação da religião africana.

Em terreiros onde há uma preocupação explícita com a preservação da cultura africana fala-se mais, atualmente, nos voduns que as pessoas 'carregam' do que em seus caboclos, embora muitas pessoas entrem em transe ali só com caboclos ou sejam mais identificadas pelo seu 'guia' do que pelo seu vodum (como: Izaura de Floriano e Joãozinho de Mariana, na Casa de Fanti-Ashanti), os caboclos sejam ali mais numerosos e sejam recebidos ali com maior frequência do que as entidades africanas. Atualmente, também naqueles terreiros, há uma tendência a apresentar os caboclos como mensageiros ou representantes dos voduns, e a apresentar as entidades africanas como as verdadeiras donas do terreiro e da cabeça dos filhos-de-santo e as únicas realmente cultuadas ou 'assentadas' na casa.

Na Mina maranhense, o caboclo pode ser visto como um vodum na 'linha da mata', um representante de vodum, ou como simplesmente caboclo - sem ligação direta com as entidades cultuadas pelos africanos que abriram os primeiros terreiros no Maranhão. Dependendo da forma como é visto, o caboclo pode ser tratado com maior ou menor cerimônia, manifestar-se de modo mais próximo ou mais afastado dos 'pecadores' (terráqueos), e apresentar um comportamento mais próximo ou mais afastado dos valores da classe dominante e das normas de bom comportamento adotadas pelo pessoal do terreiro.

Neste trabalho procuramos analisar a participação do caboclo em rituais públicos de um terreiros de São Luís, a Casa de Fanti-Ashanti, que foi fundada, em 1954, por um curador (pajé); 'assentada', como casa de Mina, quatro anos depois, quando foi inaugurado seu 'barracão'; e que passou a responder também como casa de Candomblé, a partir de 1980 (quando seu pai-de-santo foi 'confirmado' no nagô em Recife) - tendo hoje 'linha' de Mina, de Cura e de Candomblé. Como todo terreiro de religião afro-brasileira, a Casa de Fanti-Ashanti realiza rituais públicos e privados onde ocorre a 'descida' de entidades espirituais. A maioria dos rituais públicos são festivos e atraem para o terreiro, além dos filhos da casa, grande número de pessoas que não pertencem à 'irmandade' (parentes dos filhos da casa ou sem laços de parentesco com pessoas do terreiro).

As festa da Casa de Fanti-Ashanti ligam-se, direta ou indiretamente, à Cura, Mina, ou Candomblé e delas participam grande número de entidades espirituais caboclas (incorporadas em filhos da casa). Neste trabalho, após uma descrição do 'toque' de Mina, e do ritual público da Cura (o 'brinquedo' de 'pena e maracá'), damos uma visão geral de duas festas realizadas na Casa de Fanti-Ashanti para entidades que, embora pertençam à Mina e à Cura, quase não são recebidas naqueles dois rituais: o Baião, para moças e princesas, e o Canjerê, para índios, entidades espirituais selvágens e para o 'povo da rua'. Descrevemos, finalmente, o Samba de Angola (Candomblé de Caboclo), trazido de Pernambuco pela Casa de Fanti-Ashanti, onde caboclos da Mina somam-se aos boiadeiros, entidades espirituais pouco numerosas nos terreiros de São Luís, mas muito conhecidas na Umbanda.

 

TAMBOR DE MINA:

 

Mina é a manifestação religiosa de origem africana mais conhecida no Maranhão e no Norte do Brasil. Tem como principais modelos dois terreiros de São Luís, fundados por africanas antes da abolição da escravidão: a Casa das Minas, de 'nação' jeje, e a Casa de Nagô. Mas incorpora também muitos elementos de outras tradições africanas, de culturas ameríndias e do catolicismo popular.

O 'toque' ou Tambor de Mina, ritual onde ocorre a descida de voduns e caboclos, realiza-se, geralmente, nos dias em que a Igreja Católica celebra a festa de santos relacionados com as entidades espirituais de terreiros. É precedido, geralmente, por uma ladainha e realizado durante três noites.

Na Casa de Fanti-Ashanti o ritual começa com as dançantes (filhas-de-santo) cantando para Légba (Exu). Canta-se, em seguida, três a cinco 'doutrinas' para Ogum e o mesmo número de músicas para as demais entidades espirituais africanas cultuadas na casa. Embora a maior parte do ritual seja dedicada aos voduns, e sempre alguns deles venham 'na cabeça' de seus filhos para 'baiar', alguns caboclos costumam incorporar, logo no início do ritual, e dançar ao lado das entidades africanas. No final do ritual, especialmente no último dia de 'toque', as entidades africanas costumam 'dar passagem' a entidades caboclas e estas passem a ser também homenageadas com algumas 'doutrinas', e algumas delas a 'doutrinar' ('puxar' o canto).

Embora, atualmente, cante-se mais na Casa de Fanti-Ashanti em língua africana, o repertório da Mina, em português, é bastante rico. Estas, no entanto, nunca são cantadas naquela casa no início do ritual. Nos 'toques' o canto é acompanhado por dois tambores 'abatás' (de duas membranas), um 'ferro' (gã ou agogô), duas cabaças grandes e várias cabaças pequenas, revestidas por malha de contas (agué). Os tambores e as cabaças grandes são tocados por homens mas, na falta de tocadores, podem ser tocados por algumas mulheres incorporadas com entidades espirituais masculinas.

Nos 'toques' da Casa De Fanti-Ashanti, tal como na Casa das Minas e na Casa de Nagô, os 'filhos-de-santo' usam saias de cetim ou calça de uma cor associada à entidade espiritual que está sendo homenageada, 'camisa de saia' ou blusa branca, bordada em 'Richelieu', e um ou mais colar de miçangas ('guias' ou 'rosários'). Após a incorporação com vodum ou com caboclo, os 'dançantes' recebem uma toalha branca bordada e os que recebem caboclo 'da mata', às vezes, passam a dançar de pé no chão ou segurando na mão uma 'pana' (lenço de seda), semelhante a usada pelos curadores (pajés).

 

CURA OU 'BRINQUEDO' DE PENA E MARACÁ

 

De origem ameríndia, a Cura realiza-se hoje em numerosos terreiros de Mina de São Luís, abertos por curadores (pajés), sob o comando do pai ou da mãe-de-santo ou é realizada por outros membros do terreiro, em suas residências. Na Casa de Fanti-Ashanti o ritual de Cura é organizado por Pai Euclides e dele tomam parte alguns dos filhos-de-santo que tem encantado de linha de 'água doce'. É realizado uma a duas vezes por ano, no mesmo barracão onde ocorrem os rituais de Mina e de Candomblé, em período em que não há festa de santo e obrigações na casa para voduns e orixás.

A Cura da Casa de Fanti-Ashanti inicia-se 'no tempo' (no quintal), por Pai Euclides (atuando como pajé), tocando maracá e assobiando uma toada para chamar os encantados, enquanto o servente de Cura (ajudante do pajé) amarra seus braços, pernas e cintura com 'glanchamas' (faixas de cores variadas). Depois, já irradiado, e tendo nas mãos um maracá, um penacho de arara e uma 'pana' (lenço de seda), dirige-se para o barracão, acompanhado de seu ajudante, que vai defumando o caminho por onde passa.

No salão, o pajé começa cantando diante de uma mesa preparada para o ritual onde encontram-se: santos, velas, punhal, fumo, cachaça, copo d'água, etc. Invoca Rei dos Mestres e Nossa Senhora da Conceição (associados a Oxalá e a Oxum, donos da cabeça do pai-de-santo, e a segunda, divindade da água doce, domínio a que pertencem os encantados da linha de Cura). Pede depois a Mestre Laurindo para 'abrir a mesa'. Canta depois para Marajá, derramando cachaça no salão, que é também defumado pelo servente de Cura. Aberto o ritual, o pajé começa a dançar e a cantar para os encantados de cada uma de suas linha (princesa, velho, vaqueiro, pássaro, peixe e outras). A mudança de entidades, na cabeça do pajé, é acompanhada de interrupção da dança e de sacudidas de maracá, e a mudança de linhas é seguida de uma troca de 'pana' (espécie de bandeira que identifica o seu grupo). O canto do pajé é acompanhado por pandeiro e adufe, e a assistência participa ativamente do ritual cantando e batendo palma.

O encerramento do ritual é anunciado por músicas falando em 'canto do galo' e em despedida. O pajé invoca novamente Nossa Senhora e Mestre Laurindo para fechar o 'trabalho' ou encerrar o 'brinquedo', e canta pedindo ao servente para desamarra-lo a fim dos encantados que participaram do ritual poderem voltar para o 'Rio Madeiro'.

Na Casa de Fanti-Ashanti a Cura começa depois das 22 hs e termina por volta de 5 hs da manhã do dia seguinte, com o pajé incorporado com seu 'farrista', o encantado Corre-Beirada, filho de Dom Luís, Rei de França, recebido também na Mina em vários terreiros de São Luís. Encerrada a Cura começa na casa a brincadeira de Bumba-boi daquele encantado, que também é grande apreciador do Tambor de Crioula e "fanático" pela festa do divino Espírito Santo - da cultura popular maranhense.

Escrito por Quilombinho às 10h05
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BAIÃO

 

O Baião é uma festa realizada na Casa de Fanti-Ashanti no dia de Santa Luzia, para entidades espirituais femininas: princesas e caboclas. Embora seja conhecida como de 'linha de Cura' e se dance nesta festa em transe, o ritual exibe grande número de elementos da cultura de origem europeia e pauta-se, principalmente, por valores "brancos".

Surgiu no extinto terreiro do Egito, onde Pai Euclides começou a dançar Mina, em homenagem a Bela Infância, entidade associada a Obá, da família de Rei da Bandeira, que comandava ali a linha de princesas. Foi também organizado em São Luís nos terreiros do Engenho e de Mãe Verônica, oriundos daquele e já também desaparecidos.

Passou a ser realizada na Casa de Fanti-Ashanti em 1980, depois que Pai Euclides assumiu, por três anos, o comando daquela festa no Terreiro do Egito. É um ritual leve, alegre, descontraído onde as encantadas dançam ao som de músicas cantadas, em português, com acompanhamento de instrumentos de corda (violão, cavaquinho, violino, etc.), pandeiros, castanholas, e acordeon (introduzido na festa depois que ela passou a ser realizada fora do Terreiro do Egito).

A contrário da Cura /Pajelança, o Baião é uma dança grupal e as participantes do ritual recebem apenas uma entidade espiritual feminina (que, às vezes, vem também na Mina - no ritual da 'Bancada' ou em 'toques', como Maria Rita). Segundo Pai Euclides, o Baião foi muito influenciado pelos bailes de São Gonçalo, santo invocado na sua abertura, e teria surgido no Terreiro do Egito em época de perseguição policial aos terreiros, como forma disfarçada de manifestação de encantados e de culto a divindades africanas (uma vez que no Terreiro do Egito precedia o 'toque' de Mina e dele também participavam pessoas da assistência e filhos da casa em transe com voduns).

O Baião da Casa de Fanti-Ashanti começa por uma invocação a São Gonçalo e a Rei dos Mestres, nome pelo qual era conhecida a divindade africana da fundadora do Terreiro do Egito, recebida também por Pai Euclides (uma qualidade de Oxalá). Depois, passa-se a cantar em homenagem às encantadas que vão sendo incorporadas, às suas famílias e a outras entidades espirituais de 'linha de Cura'. Logo após a incorporação, as dançantes saem do salão para onde só voltam depois de caracterizadas como 'meninas' do Baião, com capote de renda ou de cetim (e, algumas delas com uma manta de miçangas multicolores), e muitos colares, trazendo na mão, além da castanhola, um leque ou ventarola. As encantadas passam, então, a cantar apresentando-se à assistência, tal como fazem os boiadeiros no Samba Angola (Candomblé de Caboclo). No final da festa Pai Euclides recebe, geralmente, o caboclo Corre-Beirada, seu 'farrista' de Cura, que depois de cumprimentado pelas encantadas, costuma cantar várias músicas em sua homenagem e alegrar a assistência após o encerramento do ritual.

No fim da festa, cantam-se músicas de despedida e outras falando em São Gonçalo e em orações católicas, e os músicos tocam uma valsa de encerramento, que é dançada também por pessoas da assistência, a convite das encantadas. Naquele momento várias filhas da casa que não participaram do ritual costumam receber seus caboclos, que vem atraídos pela brincadeira, que geralmente é organizada depois que as encantadas 'sobem' (deixam as dançantes).

 

CANJERÊ

 

Canjerê ou Tambor de Borá é um ritual realizado em alguns terreiros de São Luís para entidades da 'linha da mata' (geralmente masculinas), chefiadas pelo caboclo Tabajara (de Pai Euclides), e representadas por São Miguel, daí também ser denominado Tambor de Índio ou de São Miguel. Segundo Pai Euclides, surgiu em São Luís no Terreiro de Denira e originou-se de um ritual organizado no Terreiro do Egito, por Zacarias (pai-de-santo daquela), incorporado com Rei Surrupira. Nele é oferecido pelo terreiro, secretamente, oferendas ao 'povo da rua', e são feitos 'trabalhos' de 'feitiçaria' (para tirar malefícios).

O Canjerê começou a ser realizado por Pai Euclides em 1954, antes da inauguração do barracão da Casa de Fanti-Ashanti, e ocorreu naquele terreiro, anualmente, até 1983, quando foi suspenso pelo caboclo Tabajara, chefe do terreiro e da 'corrente' indígena daquela casa. Os primeiros Canjerês da Casa de Fanti-Ashanti foram realizado em um sítio, com acampamento 'na mata' e toque em cabaças emborcadas dentro d'água (à semelhança do ritual realizado por Rei Surrupira, no terreiro do Egito), e tiveram quinze dias de duração. Em 1982 e 1983 o ritual foi realizado naquele terreiro sem acampamento e com duração de três dias, e, em 01/1989, apesar de suspenso há cinco anos, foi realizado em uma noite, nos festejos de comemoração dos trinta anos do terreiro.

Ao contrário do Baião, ritual também originado do Terreiro Do Egito, o Canjerê é mais um trabalho 'pesado' do que uma festa em homenagem a entidades selvágens. Segundo Pai Euclides, naquele ritual é travado um combate das entidades da mata contra e os espíritos pouco evoluídos ('kiubas'), e satanás - inimigo do homem, vencido por São Miguel, como narra a Bíblia (que aparece na imagem daquele santo sob os seus). É um ritual cansativo, cheio de mistérios e de segredos, e as entidades espirituais recebidas são pouco civilizadas: falam deturpando as palavras e dançam mais gritando do que cantando, ao som de muitos instrumentos musicas (tambores abatás, ferro e cabaça - de Mina, tambores de crioula, ganzá, etc.).

Embora no Canjerê não se cante para divindades africanas nem se receba voduns e orixás, em 1983, o 'toque' (ritual público) começou no barracão com um canto para Exu (Ibarabô). No segundo dia, o ritual foi iniciado após a procissão de São Miguel, e foi interrompido para uma reza, realizada no barracão, sem os encantados, que aproveitaram o intervalo para vestir a roupa que fora preparada especialmente para o Canjerê (com uma pintura de São Miguel). Ao recomeçar o 'toque', alguns entram no salão com cocares e pulseiras indígenas. No primeiro e no último dia, os filhos-de-santo dançaram, desde a abertura do ritual com roupa de Mina - mas sem 'guias' e 'rosários' (colares), com os pés descalços e a cabeça coberta, e, após a incorporação, sem a toalha usada na Mina, pelos encantados.

No Canjerê da Casa de Fanti-Ashanti o canto é puxado por Pai Euclides e pelas pessoas de nível hierárquico alto no terreiro (tal como em outros rituais da casa), mas também por um dos tocadores (que, em 1983, tentou garantir a continuidade daquele ritual prontificando-se a assumir a sua realização).

Escrito por Quilombinho às 10h03
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25/02/2008


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 "O Presidente Lula confirmou presença na colação de grau da primeira turma de administração da Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares,no dia 13 de Março no Ginásio do Ibirapuera,em São Paulo,Dos formandos da Unipalmares,90% são negros."

SAMBA DE ANGOLA

 

Samba Angola ou Samba de Caboclo é um ritual surgido na Casa de Fanti-Ashanti depois da introdução do Candomblé da Bahia, para a 'linha de boiadeiros' - encantados já recebidos em terreiros maranhenses, tanto na Mina, como na Cura (como vaqueiros), mas que multiplicaram-se nos últimos anos na Casa de Fanti-Ashanti, e passaram a ser homenageados ali em ritual especial. É realizado com atabaques, tocados com a mão, e corresponde ao Candomblé de Caboclo realizado em São Paulo, em terreiros de Umbanda que adotaram o Candomblé, no aniversário de boiadeiros e de caboclos (entidades de origem indígena).

O Samba Angola da Casa de Fanti-Ashanti é um ritual alegre e descontraído e, no final, pessoas da assistência podem também entrar no salão. Começa cantando-se para Bom Jesus da Lapa e para Nossa Senhora, enquanto o barracão é defumado. Canta-se depois chamando os caboclos e distribui-se pó de 'pemba', cantando-se para Bombojira (Exu). Canta-se, em seguida, para Ogum - em língua africana, e depois, em português, e sem ordem determinada, para algum outro orixá, e finalmente, passa-se a cantar cantigas de caboclo. Após a incorporação, os filhos da casa já iniciados no Candomblé (iaôs), saem do salão e volta já 'caracterizados', como boiadeiros: fumando charuto e trajando roupa de chitão, chapéu de couro ou de palha ou faixa amarrada na cabeça. Em seguida, os filhos-de-santo em transe com os boiadeiros caracterizados, passam a cantar apresentando-se à assistência e falando de sua relação com os orixás.

Depois da apresentação, Gentilheiro do Sol - boiadeiro de Pai Euclides, começa a passar, de boca em boca, entre as pessoas incorporadas e as da assistência, um canecão contendo vinho e outras bebidas alcoólicas. O encerramento do ritual é anunciado por músicas falando em despedida e em santos católicos

 

CONCLUSÃO

 

A análise dos rituais públicos realizados na Casa de Fanti-Ashanti mostra que as entidades espirituais caboclas são ali recebidas no Tambor de Mina, na Cura, e no Candomblé (de Caboclo), foram integradas às tradições religiosas de origem africana (do Maranhão e da Bahia), e de origem indígena. Na Cura /Pajelança, o caboclo constitui uma das linhas mais importantes de encantados, e é também homenageado no Baião, (ritual da linha de Cura), apesar daquela festa ser realizada, especialmente, para moças e princesas. No Canjerê, o caboclo Tabajara assume o comando das entidades indígenas (selvágens), para vencer os espíritos 'pouco evoluídos' e satanás. Nos 'toques' de Mina, embora o caboclo nunca seja o principal homenageado, é recebido por maior número de pessoas, tem um espaço reservado para 'doutrinar' e homenagear suas famílias, e permanece 'em Terra' durante mais horas do que os voduns (divindades africanas). E no Samba Angola (Candomblé de Caboclo), os caboclos são homenageados, especialmente, e podem dançar, beber e fumar livremente, no barracão (sem voduns), durante todo o ritual.

Penetrando em todas as esferas religiosas do terreiro (Mina, Cura, Candomblé e Catolicismo), as entidades espirituais caboclas constituem-se um importante elo de ligação entre elas e entre os momentos religiosos e profanos da vida do terreiro. Ha sempre algum caboclo da Mina ou da Cura comandando ou participando da Festa do Espírito Santo, das brincadeiras de Bumba-Boi, Tambor de Crioula e outras, realizadas no terreiro, ou participando de rezas e ladainhas católicas, organizadas em festas de santo, e dos 'toques' realizados ali em homenágens aos voduns (divindades africanas). E ha sempre algum caboclo da Mina passando na cabeça do paje em 'brinquedos' e 'trabalhos' de Cura ou dançando em Samba Angola, e caboclos da Cura dançando Mina e Samba Angola. Assim, não apenas os filhos da Casa de Fanti-Ashanti tem linhas diversas (de Mina, de Cura, etc.). as entidades que vem em suas cabeças 'navegam' também em muitas águas - doce (Cura), salgada (Mina), e pertencem também a muitas matas diferentes - da Bahia (Candomblé de Caboclo), da Jurema (Canjerê), etc.

O fato dos terreiros de Mina do Maranhão não realizarem grandes festas no aniversário dos caboclos, como os de Umbanda e de Candomblé de São Paulo, não deve ser interpretado como atestado de menor valorização do caboclo na Mina maranhense do que na Umbanda ou Candomblé paulista. O caboclo não seria recebido na Mina pelas mesmas pessoas que recebem voduns e não dançaria nos 'toques' ao lado daquelas divindades, se o seu "status" naquela manifestação religiosa de origem africana não fosse muito elevado e se na Mina todo dia não fosse "dia de caboclo"... E é porque o caboclo tem nos terreiros de Mina de São Luís um "status" elevado, que alguns deles assumem a posição de 'senhores' na cabeça de filhos-de-santo, e de chefes ou 'donos' de alguns terreiros.

A ausência, na Mina maranhense, de separação rígida entre voduns e caboclos, observada por nós em São Paulo em terreiros de Umbanda que adotaram o Candomblé, não deve ser interpretada como ausência de diferenças entre eles no Tambor de mina. Nos 'toques' de Mina realizados em terreiros de São Luís, os caboclos podem incorporar em um filho-de-santo que recebeu um vodum no início do ritual, mas um vodum nunca incorpora, num 'toque', em um filho que já recebera caboclo naquele ritual - o que mostra a existência de diferenças hierárquicas entre eles.

A 'mudança de nação' da Casa de Fanti-Ashanti ou sua aproximação do nagô da Bahia, apesar de justificado por uma ideologia africanista, não exigiu o sacrifício do caboclo, uma vez que o Candomblé baiano foi ali introduzido com seus orixás e seus boiadeiros (Candomblé jeje-nagô, e Candomblé de Caboclo), que, como os caboclos da Mina, vem freqüentemente, só para 'baiar' (e não para 'trabalhar, como os da Umbanda), e, sendo muito antigos, podem ser apresentados como entidades espirituais introduzidas nos terreiros afro-brasileiros pelos próprios africanos, como 'donos da terra' ou como forças por eles conhecidas no Brasil, que somadas à força africana aumentaria o axé da religião afro-brasileira. Mas, é possível que o avanço do Candomblé na Casa de Fanti-Ashanti tenha abalado, de algum modo, a posição do caboclo naquele terreiro - mas isso será analisado em outro trabalho.

 

BIBLIOGRAFIA

 

BARRETTO, Maria Amália P. Os voduns do Maranhão. São Luís, Fundação Cultural do Maranhão. 1977.

FERREIRA, Euclides M. A Casa de Fanti-Ashanti e seu alas. São Luís, Ed. Alcântara, 1987.

FERRETTI, SÉRGIO F. Querebentan de Zomadonu; etnografia da Casa das Minas. São Luís, Ed. UFMA, 1985.

FERRETTI, Mundicarmo M. De segunda a domingo - Mina, uma religião de origem africana. São Luís, SIOGE, 1985.

--------- Cultura popular; estudos e debates. São Luís, SIOGE, 1988.

PEREIRA, Manuel Nunes. A Casa das Minas, culto dos voduns jeje no Maranhão. Petrópolis, Ed. Vozes, 1979 (2a. ed.).

SANTOS, Maria do Rosário C. e SANTOS NETO, Manuel dos. Boboromina: Terreiros de São Luís, uma interpretação sócio-cultural. São Luís, SECMA/SIOGE, 1989.

 

 

RESUMO:

 

O Caboclo em Rituais Públicos de um Terreiro de São Luís-Ma: Mina, Cura, Baião, Canjerê e Samba de Angola na Casa de Fanti-Ashanti. Mundicarmo FERRETTI - Universidade Federal do Maranhão

Com exceção da Casa das Minas-jeje, todos os terreiros de Mina de São Luís tem caboclos e estes participam dos rituais públicos ali realizados - ao lado de voduns e orixás incorporados. Os caboclos também são recebidos em rituais da 'linha de Cura' /Pajelança (realizados em muitos terreiros de Mina e de Umbanda de São Luís), e do Samba Angola (Candomblé de Caboclo - onde não ocorre transe com vodum ou orixá)), realizado em São Luís na Casa de Fanti-Ashanti e em um terreiro de Umbanda Omolocô. Neste trabalho, após uma rápida descrição de rituais públicos realizados na Casa de Fanti-Ashanti, procura-se analisar a forma de participação do caboclo, sua integração na Mina e no Candomblé às entidades espirituais africanas ali cultuadas.

 

XVlll Reunião da ABA

Grupo de Trabalho: Etnologia afro-brasileira

Coordenação: Roberto Motta e Anaiza Vergolino Henry

Participante: Mundicarmo Ferretti - UFMA

 

Escrito por Quilombinho às 10h28
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TAMBOR DE MINA

Tambor de Mina é a denominação mais difundida das religiões Afro-brasileiras no Maranhão e na Amazônia. A palavra tambor deriva da importância do instrumento nos rituais de culto. Mina deriva de negro-Mina de São Jorge da Mina, denominação dada aos escravos procedentes da “costa situada a leste do Castelo de São Jorge da Mina” (Verger, 1987: 12) , no atual República do Gana, trazidos da região das hoje Repúblicas do Togo, Benin e da Nigéria, que eram conhecidos principalmente como negros mina-jejes e mina-nagôs.

O Maranhão foi importante núcleo atração de mão de obra africana, sobretudo durante o último século do trafico de escravos para o Brasil (1750-1850), e que se concentrou na Capital, no Vale do Itapecuru e na Baixada Maranhense, regiões onde havia grandes plantações de algodão e cana-de-açúcar, que contribuíram para tornar São Luís e Alcântara cidades famosas entre outros aspectos, pela grandiosidade dos sobradões coloniais, construídos com mão de obra escrava e pela harmonia, beleza e coreografia das musicas de origem africana.

Como as demais religiões de origem africana no Brasil (Candomblé, Umbanda, Xangô, Xambá, Batuque, Jarê e outras), o tambor de mina se caracteriza por ser religião iniciática e de transe ou possessão. No tambor de mina mais tradicional a iniciação é demorada, não havendo cerimônias públicas de saída, sendo realizada com grande discrição no recinto dos terreiros e poucas pessoas recebem os graus mais elevados ou a iniciação completa.

A discrição no transe e no comportamento em geral é uma características marcante do tambor de mina, considerado por muitos como uma maçonaria de negros, pois apresenta características de sociedades secretas. Nos recintos mais sagrados do culto (peji em nagô, ou côme em jeje), penetram apenas os iniciados mais graduados.

O transe no tambor de mina é muito discreto e as vezes percebível apenas por pequenos detalhes da vestimenta. Em muitas casas, no início do transe, a entidade dá muitas voltas ao redor de si mesmo, no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, talvez para firmar o transe, numa dança de bonito efeito visual. Normalmente a pessoa quando entra em transe recebe um símbolo, como uma toalha branca amarrada na cintura ou um lenço, denominado pana, enrolado na mão ou no braço.

No Tambor de Mina cerca de noventa por cento dos participantes do culto são do sexo feminino e por isso, alguns falam num matriarcado nesta religião. Os homens desempenham principalmente a função de tocadores de tambores, isto é, abatás, daí a definição abatazeiros, também se encarregam de certas atividades do culto, como matança de animais de 4 patas e do transporte de certas obrigações para o local em que devem ser depositados. Algumas casas são dirigidas por homens e possuem maior presença de homens, que podem ser encontrados inclusive na roda de dançantes.

Existem dois modelos principais de tambor de mina no Maranhão: mina jeje e mina nagô. O primeiro parece ser o mais antigo e se estabeleceu em torno da Casa grande das Minas Jeje (Querebentan de Zomadônu), o terreiro mais antigo, que deve ter sido fundado em São Luís na década de 1840. O outro, que lhe é quase contemporâneo e que também se continua até hoje é o da Casa de Nagô, localizada no mesmo bairro (São Pantaleão) a uma quadra de distância.

A Casa das Minas é única, não possui casas que lhe sejam filiadas, daí porque nenhuma outra siga completamente seu estilo. Nesta casa os cânticos são em língua jeje (Ewê-Fon) e só se recebem divindades denominadas de voduns, mas apesar dela não ter casas filiadas, o modelo do culto do Tambor de Mina é grandemente influenciado pela Casa das Minas.


Nos terreiros de Tambor de Mina é comum a realização de festas e folguedos da cultura popular maranhense que as vezes são solicitadas por entidades espirituais que gostam delas, como a do Festa do Divino Espírito Santo, o Bumba-meu-boi, o Tambor de Crioula e outras. É comum também outros grupos que organizam tais atividades irem dançar nos terreiros de mina para homenagear o dono da casa, as vodunsis e para pedir proteção às entidades espirituais para suas brincadeiras. Sérgio Ferretti: "No Tambor de mina do Maranhão pouco se fala em Oxum, Oiá e Obá, conhecidas nos terreiros influenciados pelo candomblé. Os orixás e voduns se agrupam em famílias ou panteões."

 Há mais de treze anos estamos realizando pesquisa sistemática sobre religião afro-brasileira no Maranhão (desde 1984), especialmente sobre o Tambor de Mina da capital, dando ênfase à questão das entidades espirituais caboclas. Como nossa área de pesquisa não é a homossexualidade e não temos privilegiado em nossos trabalhos as questões de gênero, vamos fazer aqui umas colocações gerais e pinçar alguns elementos relativos a homossexualidade presentes na religião afro-brasileira.

Quando começamos a ter contato com a literatura antropológica lemos a obra de Pierre Clastres, “O arco e o cesto”, divulgada em 1966 numa revista francesa de Antropologia, que nos causou grande impressão, por enfocar a homossexual sob um ângulo muito diferente do que estávamos acostumados a olhar. O trabalho foi baseado em pesquisa realizada pelo autor entre os índios Guayaki (do Paraguai), onde a oposição entre homem e mulher era muito clara, organizava e dominava toda a vida quotidiana. No grupo em questão, os homens caçavam com arco e flecha e as mulheres coletavam alimentos na floresta com um cesto. Segundo o autor, a oposição entre homem e mulher era perpetuada através de um sistema de proibições recíprocas: era proibido às mulheres tocar o arco dos caçadores e aos homens tocar no cesto. Qualquer transgressão acarretaria o “pané”, como por exemplo, a má sorte na caça, o que seria desastroso na economia guayaki. Quando um homem não conseguia se realizar como caçador, ele cessava de ser homem, era obrigado a abandonar o arco, inútil para ele, e, renunciando à sua masculinidade, “trágico e resignado” se encarregava de um cesto. No exemplo apresentado o “pané”, que antecede a renúncia à masculinidade, é um azar, não tem uma base orgânicas e nem é explicado por uma falha na socialização (na identificação com os modelos masculinos), embora possa ser causado pelo desrespeito a um tabu (ser homem e segurar um cesto, o que, em última analise, é um desvio, geralmente “voluntário”, do padrão masculino).

Entre os guayaki estudados por Pierre Clastres, haviam dois casos de homens que foram “obrigados a renunciar à masculinidade” por serem “pané”, mas, o comportamento deles era muito diferente. O primeiro era viúvo e objeto de zombarias, pois, era desintegrado do meio masculino e feminino (não acompanhava os homens à caça e andava com as mulheres, mas, carregava o cesto que uma mulher dera a ele de modo diferente delas e apanhava algumas caças, pouco valorizadas, com a mão). Era um escândalo, como explicou o autor, pois, era homem sem ser caçador. O segundo caso de “pané” era o de um homem que vivia como uma mulher (adotara atitudes e comportamentos peculiares ao sexo feminino) e que, apesar de “pederasta oficialmente reconhecido”, não chamava atenção e não era objeto de zombaria, pois, era integrado ao meio das mulheres. Analisando os dois casos, o autor comenta que o primeiro era anormal e introduzia na sociedade um fator desordem, enquanto o segundo era, até certo ponto, normal.

No exemplo dado, dois homens são “obrigados” a desistir de ser homem por incompetência na função de caçador (econômica), mas, só um adota atitudes e comportamentos peculiares ao sexo feminino. O que não tornou-se mulher é caracterizado pelo autor como: desintegrado, ocioso, nervoso e descontente. O outro fazia os trabalhos com arte, era adaptado, sereno, à vontade e integrado ao meio feminino.
Em nosso contexto social um homem incompetente ou sem atividades produtivas (como é o caso do desempregado), costuma ficar desintegrado, ocioso, nervoso e descontente, mas, não é “obrigado” a renunciar sua masculinidade. Às vezes, são sustentados pelas mulheres, e em vez de assumirem funções femininas (trabalhos domésticos, cuidado de crianças), tornam-se beberrões e “mulherengos”, como ocorria, freqüentemente em Natal (RN), no final dos anos 70, onde muitas mulheres trabalhavam em fábricas de confecção e haviam muitos homens desempregados.

Em nosso meio, o homossexual masculino “assumido”, via de regra, é visto como menos competente profissionalmente do que os que se afirmam e são reconhecidos como homens (machos), embora hajam algumas atividades, como as artísticas, para as quais eles são considerados como bem dotados. Mas. os negros, as mulheres e outras minorias podem sofrer a mesma discriminação.

Na religião afro-brasileira, a atividade sexual e a menstruação são consideradas impuras e uma pessoas tem que se abster da primeira, por vários dias, para poder receber suas entidades espirituais, tocar tambor, entrar no quarto de santo, preparar oferendas, etc. Este é um dos motivos de se encontrar nos terreiros tantas mulheres idosas, sem marido, ocupando as posições hierárquicas mais altas. Mas, ninguém fala se contatos homossexuais são mais impuros do que os heterossexuais e se relações extra conjugais são mais impuras do que as conjugais, pois, sexo não se mistura com “santo”.

Na religião afro-brasileira, geralmente, também, não se considera a homossexualidade masculina como impedimento para alguém se tornar pai-de-santo ou galgar os níveis iniciáticos mais altos ou os níveis hierárquicos mais elevados dos terreiros. Mas, temos conhecimento que em Cuba, os homossexuais são mantidos nos níveis mais baixos (FICHTE,1987). Mas, embora sempre existam muitos homossexuais entre os membros dos terreiros, e exista em alguns muita preocupação com a propagação da AIDS por contato sexual (alem do uso de navalha na iniciação), o homossexual é também objeto de zombarias e nem sempre se assume.

Nos terreiros de Mina de São Luís muitas pessoas são “taxadas” de homossexuais, mas, poucas são assumidas. E, geralmente, essas pessoas são do sexo masculino, pois a homossexualidade masculina é mais notada ou mais difícil de ser disfarçada do que a feminina. Duas mulheres podem morar juntas, mas, se um homem mora com outro isso é objeto de falatório (embora Rita Segato tenha encontrado no Xangô de Recife provas em contrário - SEGATO,1995). As mulheres podem estar sempre com outras, mas, se uns homens gostam muito de se encontrar dá o que falar. As mulheres podem não gostar de saia e podem usar calça masculina, mas, se um homem preferir usar blusas de mulher dá o que falar. Do mesmo modo, se uma mulher tem como guia espiritual uma entidade masculina, não dá o que falar, pois, a maioria das mulheres recebe mais entidades masculinas. Mas, se um homem tem como guia chefe uma entidade feminina é logo visto como afeminado. Mas, nos terreiros que têm chefia feminina e que só mulheres recebem entidades espirituais, as grandes amizades entre mulheres são sempre objeto de falatórios. Nos terreiros de chefia masculina, não falta quem desconfie da virilidade dos pais-de-santo, mesmo quando eles são ou foram casados, pois, afirma-se que dançar Mina é coisa de mulher, apontando-se o exemplo das casas mais antigas de São Luís (Casa das Minas e Casa de Nagô, onde até hoje não se aceita que homens dancem com voduns). Apesar da pajelança e do catimbó marcar sua presença em muitos terreiros afro-brasileiros, os pajés e mestres do catimbó, que não são também pais-de-santo, gozam de outra fama. Há até quem fale deles como “garanhões”, o que mostra que a homossexualidade não está associada a atividade mediúnica “em si”. Como nos terreiros afro-brasileiros a homossexualidade é objeto de zombaria, mas, em geral, ninguém é impedido de ser iniciado ou de se tornar pai-de-santo por ser homossexual masculino. É possível que essa “não discriminação” favoreça a concentração ali de homossexuais, tal como acontece em alguns campos de atividade profissional (arte, culinária, moda, beleza, decoração, etc.). Mas, é bom lembrar, mais uma vez, que a vida do homossexual “assumido” nem sempre é um “mar de rosas”, como a do guayaki descrito por Pierre Clastres. Eles são objeto de zombarias e poucos são “assumidos” como o “Painho”, dos programas de televisão do Chico Anísio (embora naqueles programas o “Painho” atue, geralmente, na intimidade do terreiro).

Em nossa opinião, a idéia do terreiro como o paraíso dos gay não passa de uma ilusão. Um pai-de-santo conhecido como homossexual, ao contar sua história, pode falar das tentativas feitas por sua família para afastá-lo de sua missão religiosa, com “receio dele vir a ser (ou ser considerado) homossexual”. Mas, dificilmente, se declara homossexual ao pesquisador e se este assim o apresentar em seus trabalhos é possível que perca a sua amizade. Alem da dificuldade dele assumir sua homossexualidade, nem sempre as atitudes e comportamentos que são consideradas típicas de um homossexual por alguém de fora, são reconhecidas, como tal, por ele e pela população do terreiro em geral. Assim, um rapaz que foi classificado como homossexual por um pesquisador, por ser freqüentemente encontrado em rodas de pessoas do seu sexo, pode ser enquadrado por aquele na mesma categoria, pois, para fazer a pesquisa teve também que conviver muitas horas com pessoas do seu sexo.



 

Escrito por Quilombinho às 10h27
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TERREIROS -MA

Casas de Culto em São Luís

Casa das Minas ou Querebentã de Zomadonu - fundada em meados do século XIX, e segundo Pierre Verger, por Nã Agotimé, da família real de Abomey, esposa do rei Agonglô, mãe do rei Guezô do Daomé, trazida como escrava para o Brasil, e aqui conhecida pelo nome de Maria Jesuína. A casa dedica-se ao culto jeje dos voduns, que estão organizados por famílias, a saber: Davice que é a principal, hospedando as demais: Dambirá (Damballah), Quevioçô (Heviossô), Aladanu e Savalunu. É considerada a mais antiga casa de tambor de mina no Maranhão, localizada à rua de São Pantaleão, no centro histórico de São Luís.

Casa de Nagô - também fundada por descendentes de africanos, deu origem a outros terreiros de São Luís, em que são recebidas entidades africanas jeje-nagôs ou (iorubás): Doçu, Averequete, Ewá, Aziri, Acóssi, Sakpatá, Nanã Buruku, Xapanã, Ogum, Xangô, Badé, Locô, Iemanjá (Abê), Lissá, Naeté, Sogbô, Avó Missã dentre outros; gentis de origem européia ou caboclas de origem nativa: Dom Luís Rei de França, Dom João, Dom Floriano, Dom Sebastião, Toy Zezinho de Amaramadã, Rei da Turquia, S. Ricardino, S. Caboclo Velho, Princesa D’Ôro, S. Guerreiro, D. Mariana, S. Légua Boji, S. João da Mata e muitos outros. Segundo relatos, foi fundada à época de D. Pedro II por "malungos" africanos "de Nação", ajudados pela fundadora da Casa das Minas. Localizada na Rua Cândido Ribeiro no centro histórico de São Luís, a Casa de Nagô é considerada irmã da Casa da Minas, que juntamente com esta influenciou os demais terreiros de São Luís.

Outros dois terreiros antigos merecem ser lembrados: o Terreiro do Egito e o Terreiro da Turquia (já extintos) que originaram vários outros terreiros, com destaque para a Casa Fanti Ashanti, de Pai EuclidesFerreira sendo a única com espaço dedicado ao candomblé; Casa de Iemanjá (Ylê Ashé Yemowa), de Jorge Itaci (falecido em 2003); Terreiro Fé em Deus, de mãe Elzita. Merece destaque o Ylê Axé de Otá Olé (Terreiro de Mina Pedra de Encantaria, de Pai José Itaparandi. Alguns terreiros dedicam-se ao tambor de mina, mas também a algumas sessões de Umbanda, como por exemplo, o Terreiro de Pai Oxalá e Mamãe Oxum de Pai Joãozinho da Vila Nova.

No Maranhão, especificamente, em São Luís, há uma diversidade de terreiros, até hoje não catalogados. Além disso muitas casas funcionam precariamente principalmente por dificuldades financeiras. Acredita-se que existem mais de 200 terreiros espalhados na capital definindo-se como Mina, Umbanda ou Mata (Encantaria de Barba Soeira). Em Codó, a "Meca" do Terecô, os terreiros são também numerosos, sendo mais conhecido a "Tenda Espírita de Umbanda Rainha de Iemanjá", de Bita do Barão. Existem terreiros de mina chefiados por pais e mães de santo, feitos no Maranhão, ou de origem maranhense, no Pará, em Amazonas, em São Paulo, como por exemplo a Casa de Minas Thoya Jarina, de Toy Vodunnon Francelino de ShapananCânticos em Jeje-fon/Iorubá-nagô e outras Doutrinas

Cânticos em Jeje-fon/Iorubá-nagô e outras Doutrinas

De abertura:

Imarabô é mojubá
Egba e koshé
Omodê boji koi ki abô abô é mojubá
Legba Eshu Lonã
Fala mina bocré, oriomina na bocré
Fala mina lojotó

Outro:

Ô mina telê telê
Imasaila taió taió
Secila é malajokê
Boboromina saíla vodum
Eko Abê eko agá
Eko omodê ô, kirielé omodê ô

Para Xangô:

Faraê faraê aê
Shangô numa velê, kabê!
Éde mariolê, é demariolá, okê
Orisá, ori Shangô, kié meó keshé keshé
Ora missã orubajô
Kabê kabecile
Éde pá epá êp êp!
Faraê...

Outro:

Kaô anana irê kaô! Shango alodô
Agô irô misselé
Kaô anana irê kaô! Shango alodô
Agô irô misselé

Para Averequete:

Verequetinho é sualá
Euá mandô sualá
Verequetinho, verequetinho...

Para Toy Zezinho:

Ele é guma, ele é mailô
Ele é guma, ele é mailô
Toy Zezinho ele é mailô

Outro:

Toy Amaramadã, Toy Amaramadã, Zezinho!
Toy Amaramadã, Zezinho!Toy Amaramadã, Zezinho!

Para os voduns jejes:

O piná piná pina na basila matosanje
Erunkó bosso ko Averijó erun Dã Daomé
O pina pina pina na bacila mato sanje
Erunkó bosso ko Averijó erun Dã navê ó

Para Badé:

Badé Zoro di mapá
Badé zoro di mapá
Ele é zoro, zoro
Zoro di mapá

Para Yemanjá/Abê:

Édelá, ède manjá
Agá Sesila olodô
Édelá, ède manjá
Agá Sesila olodô

Para Euá:

Euá mandou salvar, Euá madou salvar
Ela mesmo era quem vinha, Euá mandou salvar!

Outro:

Euá ô kié é, Euá ô kié é
Orixá eu quero guia!
Euá ô kié é, Euá ô kié é
Orixá eu quero guia!

Outro:

Euá, Euá da mina tobossa Euá
Euá, Euá, Euá
Da mina tobossa Euá

Para Lissá/Oxalá:

Jan da maramadã aê, jan da maramadã aê
Oba édé abacossô, naveó Missã Oruarina
Erun obatá ô Lissá sideô avereço
Jan da maramadã Lissá, jan da maramadá Oxalá

Para Maria Barbara ou Barba Soeira

Raiou, raiou Maria Bárbara
Ô Santa Bárbara lançou pedra no mar
Anaicô, anaicô! hoje é dia de folgar, senhor!

Para D. Luís Rei de França:

Venceu Brasil, Venceu Brasil, Venceu Brasil
Ganhou aliança
D. Luís é Rei, D. Luís é Rei de França!

Para D. José Floriano:

Ele é o Rei do Mar ancião! Ele é o Rei do Mar ancião!
Ô vai levando seu cavalo no passar do Boqueirão

Para S. Légua Boji

A família de Légua está toda na eira
Ô bebendo cachaça,ô quebrando barreira
A família de Légua está toda na eira
Ô bebendo cachaça,ô quebrando barreira

Outro:

Seu Légua tem doze bois na Ilha do Maranhão
Vou levar minha boiada, da mata pro sertão
Boi, boi, boi! Tire as tamancas do boi S. Légua

Para D. Mariana

No rio Negro os mururus viraram flores
Na mata virgem o sabiá cantou
Ela é a cabocla Mariana
A bela turca que aqui raiou

Outro:

Lá fora tem dois navios, na praia tem dois faróis
É a esquadra da marinha brasileira, Mariana!
Lá na praia dos Lençóis

Para D. Sebastião:

Ê rei, ê rei, rei Sebastião
Se desecantar Lençol
Vai abaixo o Maranhão

Para S. João da Mata

Sou caboclo da bandeira, da folha do ariri
Sou caboclo da bandeira, pedra de Itacolomi
Sou caboclo da bandeira, João da Mata falado...

De encerramento:

Lebara vodum idô
Acundiré ô jaladana
Lebara, lebara, lebara vodum idô
Dadá missô

Outro:

É de kerê, kerê levará vodum
ô levará vodum
E de kerê, kerê levará vodum
ô levará vodum

Há festas especiais para voduns, gentis e caboclos, sendo que de acordo com o desenvolver do culto mudam-se os toques e os cânticos também, dependendo da família ou linha de entidades que se queira homenagear. Contudo os voduns não são celebrados juntamente com gentis ou caboclos, a festa deste ocorre separadamente, com toques especiais em língua jeje, isto é, num jeje-fon intraduzível, deturpado naturalmente no decorrer de séculos.

Casa Fanti Ashanti

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Casa Fanti-Ashanti é uma casa de candomblé, nação Jeje-Nagô, fundada em 1954, localizada no bairro do Cruzeiro do Anil, em São Luís, Maranhão.

Dirigida pelo babalorixá Euclides Menezes Ferreira, (de Oxaguian c/Oxum) e Mãe Isabel de Xangô com Oxum.

A raiz é do Terreiro Obá Ogunté também conhecido como Sítio de Pai Adão - Nagô do Recife - liderado hoje por Manuel Papai e Maria das Dores já falecida, juntamente Pai Raminho de Oxossi.

Os Fantis e os Ashantis eram povos da antiga Costa do Ouro, na África, atual República do Gana. É uma Casa de Mina e Candomblé que mantém a tradição desde sua fundação.

Além dos rituais do Tambor de Mina, do Candomblé e das festas de Ogum, Oxossi, Obaluaiyê, Oxum, Oxalá, Nanã, Xangô, Oxumaré e Oyá, a Casa também realiza o Samba de Angola para os boiadeiros. Há também rituais ligados à pajelança, ao catolicismo popular (Espírito Santo) e ao folclore (como o boi de Corre Beirada e o Tambor de Taboca).

O terreiro é comandado por Tabajara, coadjuvado pelos encantados Juracema e Jaguarema que estão presentes em todas as atividades, exceto nos rituais de Candomblé, onde a entidade maior é Oxaguiam, dono da cabeça de pai Euclides, babalorixá do terreiro, que herdou seus conhecimentos religiosos de um antigo Tambor de Mina de São Luís - o Terreiro do Egito - que funcionou até o final da década de 70. Euclides Menezes Ferreira é pioneiro em São Luís na prática do Candomblé.

 

Escrito por Quilombinho às 10h20
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HOMENS DANÇANDO UMBIGADA

A UMBIGADA EM FILEIRA

 

Homens e mulheres, em fileiras vis-á-vis, davam-se, e dão-se, repetidas umbigadas, respectivamente em Alagoas (coco em fileira) e em São Paulo (batuque). A umbigada, naturalmente, caracteriza o samba, mas neste caso a umbigada, como observou Luís da Câmara Cascudo (Made in Africa, 1965), não constitui um convite, uma vênia, o modo de passar a vez de dançar, como em tantas outras formas de samba; pelo contrário, é a sua figuração essencial. Tanto a ocorrência da umbigada em fileira no Brasil como a sua filiação aos bailes rústicos de Angola põem um problema etnográfico de solução nada fácil.

Há, contudo, duas pistas a explorar.

Do coco em fileira, forma ‘muito antiga’, já desaparecida, Téo Brandão escreveu, imprecisamente, que "25 parelhas em fila sapateavam vis-á-vis a número correspondente de outros pares". Em comunicação pessoal, à base de depoimento obtido do Velho Garanhuns, ex-capitão de campo durante a escravidão, Théo Brandão confirmou que as duas filas de dançarinos se chocavam, ritmadamente, numa umbigada coletiva. Em cada fila, alternavam-se homens e mulheres (donde a referência a parelhas e pares), de modo que cada figurante tinha diante de si um indivíduo do sexo oposto.

O caduque e a massemba de Angola são, pelo que se pode depreender de uma descrição muito insuficiente do cronista angolano Óscar Ribas (Izomba, 1965), parentes próximos, se não antepassados, do coco em fileira.

A massemba, que se dança em Luanda, e tem, ou tinha, associações populares que a cultivavam, seria a forma urbana do caduque, baile "essencialmente rústico, executado ao ar livre, em chão de quintal", natural de Ambaca (Mbaka). Massemba é plural de dissemba, umbigada, do verbo kussemba, requebrar-se. E dança de salão - evidentemente, de salão pobre, nativo. Se desprezarmos uma movimentação em quadrilha, o fogope - os ‘exercícios’, sob o comando de um marcador - que faz parte do baile em Luanda, mas estruturalmente nada tem a ver com ele, os dançarinos se organizam em duas fileiras, como no coco, mas as umbigadas nem sempre se dão entre homem e mulher. Um dos figurantes se destaca da sua fileira e vai dar uma semba (umbigada) num dos componentes da outra: "Quem aplica a semba ocupa o lugar de quem a recebe, pois esse, em evolução análoga, logo parte a entrechocar-se com outro elemento da fila contrária." A orquestra desse baile urbano, bem comportado, em que "cavalheiros e damas trajam a capricho", muitas vezes na mesma cor, e outrora até mesmo de smoking, compõe-se de uma harmônica e uma dicanza, espécie de reco-reco de cerca de um metro de comprimento. Os presentes fazem coro nas canções.

O caduque era mais movimentado. Executava-se a semba, mas, escreve Óscar Ribas, "em vez de, como na massemba, sair apenas um dançante, saíam dois simultaneamente, um de cada fila". Compunham o instrumental uma goma (tambor escavado em tronco de árvore) percutida com as mãos, uma caixa, que se tocava com baquetas, e uma dicanza. Também aqui os brincantes cantavam em coro.

Note-se que, num e noutro caso, se pode qualificar de seletiva a umbigada, movimentando-se os dançarinos, mas não as fileiras.

Já o batuque de São Paulo apresenta grande semelhança com o calandá (calenda em francês) do Haiti, e em geral de toda a antiga Hispaniola. Este era o baile da predileção dos escravos. O padre Labat (Jean-Baptiste Labat, 1663-1738), missionário e cronista da vida colonial, chegou a escrever, a fim de dar uma idéia da ‘paixão’ de adultos e crianças pelo calandá, que parecia que o viessem dançando desde o ventre materno. Dois tambores, um grande e um pequeno (bamboula), cabaças e às vezes um banza, violino rudimentar de quatro cordas, compunham a orquestra, que as palmas completavam. Heli Chatelain (Folk-Tales of Angola, 1894) grafa mbanza, que eventualmente deu banjo. De acordo com o relato do padre Labat, os dançarinos se dividiam em duas fileiras, uma de homens, outra de mulheres, e faziam figurações individuais.

"até que o som do tambor lhes dê aviso para se juntarem, batendo as coxas uns contra os outros, isto é, os homens contra as mulheres [...] Afastam-se por um momento, fazendo piruetas, para recomeçar o mesmo movimento, com gestos inteiramente lascivos, tantas vezes quantas o tambor dê o sinal, o que amiúde faz muitas vezes, sucessivamente. De vez em quando, dão-se os braços e fazem duas ou três voltas, sempre batendo as coxas e se beijando."

Era natural, pois, que o padre Labat não os pudesse dissuadir do calandá, ainda que contratasse músicos e distribuísse aguardente para interessá-los em outras danças.

Do calandá, ao que parece, nada, ou quase nada restou no Haiti, pelo que informa Michel Lamartinière Honorat (Les danses folkloriques haitiannes, 1955).

Em São Paulo, batuqueiros e batuqueiras, em fileiras vis-á-vis, sambam uns ao encontro das outras e dão-se valentes umbigadas, o homem inclinando o busto para trás para aplicá-las melhor, três de cada vez, intercaladas por ligeiras reviravoltas sobre o corpo, e assinaladas por palmas acima da cabeça. A orquestra se constitui de tambores (tambu e quinjengue),matraca e guaiá. E, para encerrar o baile, há a figuração chamada leva-e-traz, quando batuqueiros e batuqueiras, obedecendo à batida dos tambores, avançam e recuam de modo vivaz, dando-se sucessivas umbigadas.

Como sempre acontece nestas coisas, certeza não há. É possível relacionar o coco em fileira ao caduque, mais do que à massemba, de Angola. O batuque paulista corresponde, muito de perto, ao calandá do Haiti. Mas o calandá, por sua vez, de que forma de samba se terá originado?

O Tambor de Crioula será homenageado amanhã (22), às 19h, com o lançamento de um selo na Casa do Maranhão. O evento, promovido pelos Correios e pelo Governo do Estado do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, contará com a presença do Governador do Estado, Jacksom Lago, do Diretor Comercial dos Correios, Samir Hatem, do prefeito de São Luis, Tadeu Palácio, e do Diretor Regional dos Correios, Carlos Alberto Pinheiro, além de outras autoridades locais.

Todos os anos, os países membros da União Postal das Américas, Espanha e Portugal (UPAEP) emitem selos postais especiais focalizando um tema comum, cujos motivos reforcem as características e realidades socioculturais dos países emissores. Para 2008, o tema recomendado foi "Festas Nacionais". O motivo escolhido pelos Correios do Brasil para ilustrar o selo brasileiro foi o Tambor de Crioula, riqueza da expressão cultural maranhense e Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, registrado pelo IPHAN.

O selo, com arte de Márcio Guimarães, tem tiragem de 22 milhões de unidades e custa R$ 0,60 cada. A ilustração representa a manifestação folclórica e mostra, em primeiro plano, uma mulher dançando vestida com saia rodada estampada multicolorida e blusa branca com aplicações de rendas. O colorido representado nas vestes retrata o tropicalismo brasileiro, com sua riqueza de tons. Nesta dança, somente as mulheres participam das coreografias, cabendo aos homens tocar os instrumentos, de forma característica, como apresentado na imagem, ao fundo, com os três tambores. Foi utilizada a técnica mista de desenho e computação gráfica. O selo será comercializado até 31 de dezembro de 2011.

O Tambor de Crioula é uma dança que compõe a riquíssima cultura popular maranhense. É tocado e dançado a qualquer tempo, no carnaval, nas festas juninas e fora dessas manifestações populares, sempre em louvor a São Benedito. A manifestação cultural possui matriz africana. Nela, as mulheres de saias esvoaçadas saúdam-se na umbigada, cumprimento entre as dançarinas que compõem a roda.

Os três tambores de madeira e, atualmente também de PVC - o grande, o meião e o crivador - são tocados por homens, enquanto as mulheres dançam, embora, ainda em menor número, haja grupos onde as mulheres tocam e os homens dançam.

Próxima à roda que se forma, é acessa uma fogueira para "afinação" dos instrumentos. Os tambores podem ser acompanhados ainda por matracas, com palmas das dançarinas e pelo público presente, que formam um círculo ao redor de tocadores e dançarinas, os quais são usualmente denominados coreiros e coreiras. A dança afro-maranhense guarda a semelhança com diversas outras danças brasileiras e africanas, mas somente no Maranhão recebe esse nome.

Com o lançamento desse selo, os Correios ratificam, por meio de filatelia, a missão de propagar os valores nacionais e sua importância no contexto sociocultural do Brasil.

Tambor de Mina é a denominação mais difundida das religiões Afro-brasileiras no Maranhão e na Amazônia. A palavra tambor deriva da importância do instrumento nos rituais de culto. Mina deriva de negro-Mina de São Jorge da Mina, denominação dada aos escravos procedentes da “costa situada a leste do Castelo de São Jorge da Mina” (Verger, 1987: 12) , no atual República do Gana, trazidos da região das hoje Repúblicas do Togo, Benin e da Nigéria, que eram conhecidos principalmente como negros mina-jejes e mina-nagôs.

O Maranhão foi importante núcleo atração de mão de obra africana, sobretudo durante o último século do trafico de escravos para o Brasil (1750-1850), e que se concentrou na Capital, no Vale do Itapecuru e na Baixada Maranhense, regiões onde havia grandes plantações de algodão e cana-de-açúcar, que contribuíram para tornar São Luís e Alcântara cidades famosas entre outros aspectos, pela grandiosidade dos sobradões coloniais, construídos com mão de obra escrava e pela harmonia, beleza e coreografia das musicas de origem africana.

Como as demais religiões de origem africana no Brasil (Candomblé, Umbanda, Xangô, Xambá, Batuque, Jarê e outras), o tambor de mina se caracteriza por ser religião iniciática e de transe ou possessão. No tambor de mina mais tradicional a iniciação é demorada, não havendo cerimônias públicas de saída, sendo realizada com grande discrição no recinto dos terreiros e poucas pessoas recebem os graus mais elevados ou a iniciação completa.

A discrição no transe e no comportamento em geral é uma características marcante do tambor de mina, considerado por muitos como uma maçonaria de negros, pois apresenta características de sociedades secretas. Nos recintos mais sagrados do culto (peji em nagô, ou côme em jeje), penetram apenas os iniciados mais graduados.

O transe no tambor de mina é muito discreto e as vezes percebível apenas por pequenos detalhes da vestimenta. Em muitas casas, no início do transe, a entidade dá muitas voltas ao redor de si mesmo, no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, talvez para firmar o transe, numa dança de bonito efeito visual. Normalmente a pessoa quando entra em transe recebe um símbolo, como uma toalha branca amarrada na cintura ou um lenço, denominado pana, enrolado na mão ou no braço.

No Tambor de Mina cerca de noventa por cento dos participantes do culto são do sexo feminino e por isso, alguns falam num matriarcado nesta religião. Os homens desempenham principalmente a função de tocadores de tambores, isto é, abatás, daí a definição abatazeiros, também se encarregam de certas atividades do culto, como matança de animais de 4 patas e do transporte de certas obrigações para o local em que devem ser depositados. Algumas casas são dirigidas por homens e possuem maior presença de homens, que podem ser encontrados inclusive na roda de dançantes.

Existem dois modelos principais de tambor de mina no Maranhão: mina jeje e mina nagô. O primeiro parece ser o mais antigo e se estabeleceu em torno da Casa grande das Minas Jeje (Querebentan de Zomadônu), o terreiro mais antigo, que deve ter sido fundado em São Luís na década de 1840. O outro, que lhe é quase contemporâneo e que também se continua até hoje é o da Casa de Nagô, localizada no mesmo bairro (São Pantaleão) a uma quadra de distância.

A Casa das Minas é única, não possui casas que lhe sejam filiadas, daí porque nenhuma outra siga completamente seu estilo. Nesta casa os cânticos são em língua jeje (Ewê-Fon) e só se recebem divindades denominadas de voduns, mas apesar dela não ter casas filiadas, o modelo do culto do Tambor de Mina é grandemente influenciado pela Casa das Minas.


Nos terreiros de Tambor de Mina é comum a realização de festas e folguedos da cultura popular maranhense que as vezes são solicitadas por entidades espirituais que gostam delas, como a do Festa do Divino Espírito Santo, o Bumba-meu-boi, o Tambor de Crioula e outras. É comum também outros grupos que organizam tais atividades irem dançar nos terreiros de mina para homenagear o dono da casa, as vodunsis e para pedir proteção às entidades espirituais para suas brincadeiras. Sérgio Ferretti: "No Tambor de mina do Maranhão pouco se fala em Oxum, Oiá e Obá, conhecidas nos terreiros influenciados pelo candomblé. Os orixás e voduns se agrupam em famílias ou panteões."

 

Escrito por Quilombinho às 10h17
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23/02/2008


TAMBOR DE MINA

Tambor de Mina é a denominação mais difundida das religiões Afro-brasileiras no Maranhão e na Amazônia. A palavra tambor deriva da importância do instrumento nos rituais de culto. Mina deriva de negro-Mina de São Jorge da Mina, denominação dada aos escravos procedentes da “costa situada a leste do Castelo de São Jorge da Mina” (Verger, 1987: 12) , no atual República do Gana, trazidos da região das hoje Repúblicas do Togo, Benin e da Nigéria, que eram conhecidos principalmente como negros mina-jejes e mina-nagôs.

O Maranhão foi importante núcleo atração de mão de obra africana, sobretudo durante o último século do trafico de escravos para o Brasil (1750-1850), e que se concentrou na Capital, no Vale do Itapecuru e na Baixada Maranhense, regiões onde havia grandes plantações de algodão e cana-de-açúcar, que contribuíram para tornar São Luís e Alcântara cidades famosas entre outros aspectos, pela grandiosidade dos sobradões coloniais, construídos com mão de obra escrava e pela harmonia, beleza e coreografia das musicas de origem africana.

Como as demais religiões de origem africana no Brasil (Candomblé, Umbanda, Xangô, Xambá, Batuque, Jarê e outras), o tambor de mina se caracteriza por ser religião iniciática e de transe ou possessão. No tambor de mina mais tradicional a iniciação é demorada, não havendo cerimônias públicas de saída, sendo realizada com grande discrição no recinto dos terreiros e poucas pessoas recebem os graus mais elevados ou a iniciação completa.

A discrição no transe e no comportamento em geral é uma características marcante do tambor de mina, considerado por muitos como uma maçonaria de negros, pois apresenta características de sociedades secretas. Nos recintos mais sagrados do culto (peji em nagô, ou côme em jeje), penetram apenas os iniciados mais graduados.

O transe no tambor de mina é muito discreto e as vezes percebível apenas por pequenos detalhes da vestimenta. Em muitas casas, no início do transe, a entidade dá muitas voltas ao redor de si mesmo, no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, talvez para firmar o transe, numa dança de bonito efeito visual. Normalmente a pessoa quando entra em transe recebe um símbolo, como uma toalha branca amarrada na cintura ou um lenço, denominado pana, enrolado na mão ou no braço.

No Tambor de Mina cerca de noventa por cento dos participantes do culto são do sexo feminino e por isso, alguns falam num matriarcado nesta religião. Os homens desempenham principalmente a função de tocadores de tambores, isto é, abatás, daí a definição abatazeiros, também se encarregam de certas atividades do culto, como matança de animais de 4 patas e do transporte de certas obrigações para o local em que devem ser depositados. Algumas casas são dirigidas por homens e possuem maior presença de homens, que podem ser encontrados inclusive na roda de dançantes.

Existem dois modelos principais de tambor de mina no Maranhão: mina jeje e mina nagô. O primeiro parece ser o mais antigo e se estabeleceu em torno da Casa grande das Minas Jeje (Querebentan de Zomadônu), o terreiro mais antigo, que deve ter sido fundado em São Luís na década de 1840. O outro, que lhe é quase contemporâneo e que também se continua até hoje é o da Casa de Nagô, localizada no mesmo bairro (São Pantaleão) a uma quadra de distância.

A Casa das Minas é única, não possui casas que lhe sejam filiadas, daí porque nenhuma outra siga completamente seu estilo. Nesta casa os cânticos são em língua jeje (Ewê-Fon) e só se recebem divindades denominadas de voduns, mas apesar dela não ter casas filiadas, o modelo do culto do Tambor de Mina é grandemente influenciado pela Casa das Minas.


Nos terreiros de Tambor de Mina é comum a realização de festas e folguedos da cultura popular maranhense que as vezes são solicitadas por entidades espirituais que gostam delas, como a do Festa do Divino Espírito Santo, o Bumba-meu-boi, o Tambor de Crioula e outras. É comum também outros grupos que organizam tais atividades irem dançar nos terreiros de mina para homenagear o dono da casa, as vodunsis e para pedir proteção às entidades espirituais para suas brincadeiras.

Tambor de Crioula do Maranhão
Registro como Patrimônio Cultural do Brasil é uma medida do Governo de valorizar o bem cultural imaterial, além de exaltar as comunidades que recebem o título

A imagem “http://www.cultura.gov.br/upload/Tambor%20de%20Croula%2001_1179519454.jpg” contém erros e não pode ser exibida.
Escola de Azulejaria - Foto: Iphan
Nesta quinta-feira, dia 17 de maio, foi publicado no Diário Oficial da União aviso do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) divulgando a proposta de registro do Tambor de Crioula do Maranhão.

No comunicado, consta o parecer técnico do Departamento de Patrimônio Imaterial (DPI) favorável à inscrição dessa manifestação cultural no Livro de Registro das Formas de Expressão.

A publicação tem como objetivo tornar pública a intenção de registro do Tambor como patrimônio cultural, e permitir que, em 30 dias, qualquer interessado se manifeste. Terminado este prazo, o presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, encaminhará o processo de registro para a apreciação e deliberação do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. Caso haja manifestações contrárias ao registro, o Conselho poderá decidir pela realização de audiência pública.


Conselho Consultivo - Está prevista para o dia 2 de julho, em São Luís, a próxima reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. Presidido pelo presidente do Iphan e composto por 18 membros da sociedade civil, o Conselho tem a atribuição de aprovar os tombamentos e registros do patrimônio nacional. O registro como patrimônio cultural do Brasil é uma medida do governo que visa à valorização do bem cultural imaterial, além de exaltar as comunidades que recebem o título.


Informações: (61) 3326-8907/8014; www.iphan.gov.br; www.monumenta.gov.br.



(Fonte: Assessoria de Comunicação do Iphan/MinC)
(Edição: Carol Lobo, Comunicação Social/MinC)
Trabalho / Mulheres
Quebradeiras de coco do Maranhão: lutas e conquistas

Adital -
A história das mulheres pobres da região do semi-árido maranhense se mistura com a do babaçu. Ali desde cedo elas aprendem um ofício que é passado de mãe para filha: o de quebradeira de coco. No Maranhão, cerca de trezentas mil pessoas vivem da extração do coco do babaçu, 90% são mulheres. Mas a história dessas quebradeiras muda de acordo com o município em que vivem, já que nem todos adotaram a Lei do Babaçu Livre, que permite a extração mesmo em terras privadas. 

Na região cortada pelo Rio Mearim está a maior concentração de babaçu do Brasil e essas plantações geralmente estão dentro de propriedades particulares, onde a extração do coco não é a principal fonte de renda dos donos. Este fato já causou intensos conflitos. Depois da aprovação da lei, o sustento de muitas famílias foi assegurado sem desavenças, mas ainda existem famílias sofrendo com a exploração.

 

A Lei

 

A Lei do Babaçu Livre foi aprovada em 1997, mas essa conquista faz parte de um longo processo de lutas. Antes de 1960, as quebradeiras não encontravam nenhum empecilho para extrair o coco, a partir de então as terras começaram a ser cercadas com arame farpado e porteiras com cadeado, além de intensa fiscalização dos proprietários. Sem condições de trabalho, as famílias entravam em atrito com os empregados das fazendas numa guerra que cobrou vidas de ambos os lados. Mas a luta dessas mulheres é que a Lei seja estadual e federal. Também batalham pela preservação das palmeiras no cenário maranhense.

 

Escrito por Quilombinho às 09h32
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LABORARTE-MA e A MUSICA DA ILHA DO AMOR

Imagem AtivaO Laboratório de Expressões Artísticas do Maranhão (Laborarte) completou 35 anos. O Laborarte é um grupo artístico independente, produzindo nas áreas de teatro, dança, música, capoeira, artes plásticas, fotografia e literatura.

O Laboratório além de desenvolver atividades culturais permanentes como oficina de tambor de crioula, oficina de dança do cacuriá, oficina de teatro e oficina de ritmos populares do Maranhão, mantêm também uma escola de capoeira angola e programas sócio-culturais com jovens de bairros carentes de São Luís.

Anualmente, o Grupo Laborarte realiza os eventos: “Carnaval de 2ª”, “Rompendo Aleluia”, “Caravana Laborarte” bem como os espetáculos “Cacuriá de D. Teté”, “Show de Rosa Reis”, “Auto da Estrela Esperança”, “Tambor de Crioula do Laborarte” e dentre outros.

Para o coordenador de Artes Cênicas do Laborarte, Nelson Brito, a grande característica do Grupo é a resistência cultural. “O Laborarte através da arte desenvolve um processo de discussão crítica do país, tendo como base a arte popular do Maranhão”, acrescenta Nelson.

Laborarte: 35 anos fazendo arte

O Laborarte foi criado em 11 de outubro de 1972, instalando-se no casarão 42 da rua Jansen Muller, no Centro de São Luís com o propósito de engendrar a arte maranhense na música, na dança, na literatura, nas artes plásticas e no teatro. O Movimento Antroponáutico nascido no Liceu e o Teatro de Férias do Maranhão (TEFEMA) criado na Igreja de São Pantaleão foram a base para a criação do grupo Laborarte, que exerceria uma influência significativa no desenvolvimento cultural da cidade a partir de então.

Vale dizer que foi o Laborarte que implementou em São Luís o teatro de bonecos, contribuindo ainda no processo de organização e capacitação dos artistas. Do Laborarte saíram atores, músicos, dançarinos, artistas plásticos, bonequeiros e poetas que aos poucos foram se inserindo no mercado de trabalho local e nacional.

 

[divulgação]

Tambor de crioula: uma das atrações da Folia Laborarte

O Laboratório de Expressões Artísticas do Maranhão (Laborarte) completa 35 anos em 2007. Às vésperas do carnaval, apresenta mais uma tarde de folia, regada a feijoada, tambor de crioula e show "Embaralha meu baralho", com a cantora Rosa Reis. Outra atração da tarde é o Baralho das Florzinhas, que seguirá em cortejo, do casarão 42 até à Rua de Nazaré (Praia Grande), para um encontro coma Turma do Vandico.

 

Contato

Pelo e-mail rosabalaio@uol.com.br

 

[divulgação]

A oficina terá duração de quatro meses, sempre às terças e quintas-feiras

Com o objetivo de difundir e perpetuar ritmos tradicionais maranhenses, o percussionista Luiz Cláudio Farias organiza esta Oficina de Ritmos Tradicionais Maranhenses, que inicialmente abordará o Sotaque de Zabumba do Bumba-Meu-Boi e o Tambor de Crioula. A oficina terá duração de quatro meses e seu principal diferencial está no fato de as aulas serem ministradas por mestres destes ritmos.

[foto: Paulo Socha]

Show de lançamento do primeiro disco do cantor e compositor Chico Nô. O disco tem tiragem limitada e capa artesanal e, como o show, passeia por quinze anos de rodas boêmias entre São Luís e Rio de Janeiro. No repertório, músicas inéditas de sua autoria, além de releituras de nomes como Noel Rosa, Josias Sobrinho, Cesar Teixeira e Joãozinho Ribeiro. No palco, Chico Nô estará acompanhado por bambas como Juca do Cavaco, Zezé Alves, Vandico e Lazico e contará com as participações especiais de Josias Sobrinho, Cesar Teixeira, Joãozinho Ribeiro, Urias de Oliveira, grupo Xaxados e Perdidos (do qual é integrante) e Turma do Vandico.

TAMBOR DE CRIOULA
O tambor de crioula é uma dança afro-brasileira encontrada no Estado do Maranhão e praticada sobre tudo por descendentes de africanos. A principal característica coreográfica da dança é a formação de um círculo com solistas dançando alternadamente no centro. Um de seus traços distintivos é a Punga ou Pungada, (a umbigada).

A música que acompanha a dança é tocada por três tambores de madeira com couro preso por cravelhas em uma das extremidades e fixados por fricção. Os tambores são afunilados e escavados. Atualmente utilizam-se também tambores de cano plástico PVC.

O tambor maior, chamado de “tambor grande é o solista. Há dois outros tambores, o segundo chamado de” "meião" ou "sucador", que estabelece o ritmo básico de 6/8 e o terceiro "crivador" ou "pererengue" que realiza improvisos em 6/8. A música africana é freqüentemente caracterizada como sendo polimétrica, porque, em contraste com a música ocidental, cada instrumento no conjunto, possui medidas diferentes, permitindo diversas possibilidades de variação e de improviso para o tambor que lidera o grupo. Após serem tocados, os tambores são colocado diante de uma fogueira para afinar o couro. Os tambores são similares aos utilizados no culto Mina-Jêje, originário do antigo Reino do Daomé.

O tambor grande é amarrado à cintura do tocador chefe, de pé, preso entre suas pernas. Os dois menores são apoiados no chão, sobre um tronco, com os tocadores sentados sobre os tambores entre suas pernas. Um ajudante, agachado atrás do tambor grande percute duas matracas, produzindo interessantes variações de acompanhamento.

Cada cântico se inicia com um solista que toadas de improviso ou conhecidas, repetidas ou respondidas pelo coro, composto por homens que se substituem nos toques (coreiros) e por mulheres dançantes (coreiras). Os cânticos possuem temas líricos relacionados ao trabalho, devoção, apresentação, desafio, recordações amorosas e outros.
O tambor de crioula é sobre tudo uma dança de divertimento, mas costuma ser realizada em homenagem a São Benedito, padroeiro dos negros do Maranhão, que representa o vodum daomeano Toi Averequete. Em muitos terreiros de tambor de mina (nome mais comum dado à religião de origem africana no Norte do Brasil), há entidades religiosas que gostam de festas de tambor de crioula. Estas festas costumam ser realizadas ao longo de todo o ano, inclusive no Carnaval.

:: São Benedito
:: Santo protetor dos negros
:: Data de comemoração: 05 de Outubro

São Benedito nasceu na Sicília, Itália, em 1526. Seus pais eram descendentes de escravos vindos da Etiópia, e mais tarde libertos por seus senhores, tomando o sobrenome dos mesmos.

Sua família era pobre e o Mouro, como era chamado, foi pastor de ovelhas e lavrador. Aos 18 anos decidiu consagrar-se ao Senhor, mas somente aos 21 anos foi chamado por um monge para viver entre os Irmãos Eremitas de São Francisco de Assis. Professou os votos de pobreza, obediência e castidade. Andava descalço, dormia no chão sem cobertas e fazia muitos outros sacrifícios. Muitas pessoas o procuravam pedindo conselhos, orações e alcançavam muitas curas.
Depois de 17 anos, foi obrigado a se mudar para o Convento dos Capuchinhos, onde foi escalado como cozinheiro, permanecendo nesse humilde serviço até que foi eleito pelos seus irmãos de comunidade como superior do Mosteiro. Era leigo, analfabeto, mas foi eleito por sua santidade, prudência e sabedoria. Considerado iluminado pelo Espírito Santo, profetizou muitas vezes com incrível acerto.

Tendo concluído seu período como superior, retornou com humildade e naturalidade para a cozinha do convento, reassumindo com alegria as funções modestas que antes desempenhara.
Sempre que podia, São Benedito apanhava alguns alimentos do convento, metia-os nas dobras do burel e, disfarçadamente, os levava aos necessitados. Conta-se que numa dessas ocasiões, o santo foi surpreendido pelo superior do convento, que perguntou: "Que levas aí, na dobra do teu manto, irmão Benedito ?". E o santo respondeu: "Rosas, meu senhor !". São Benedito desdobrou o burel franciscano e, em lugar dos alimentos suspeitados, apresentou aos olhos pasmos do superior uma braçada de rosas.
Amado de Norte a Sul do Brasil, onde o chamam "O Santinho Preto", São Benedito morreu em 4 de Abril de 1589 em Palermo, na Itália. O culto de São Benedito, um dos mais populares do país, é associado aos padecimentos do negro brasileiro.
 
:: Oração à São Benedito
 
São Benedito, filho de escravos, que encontrastes a verdadeira liberdade servindo a Deus e aos irmãos, independente de raça e de cor, livrai-me de toda a escravidão, venha ela dos homens ou dos vícios, e ajudai-me a desalojar de meu coração toda a segregação e a reconhecer todos os homens por meus irmãos. São Benedito, amigo de Deus e dos homens, concedei-me a graça que vos peço do coração. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.

 

Escrito por Quilombinho às 09h32
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22/02/2008


MENSAGEM DA TELMA E DO RAMON

Os ensaios do Maracatu Leão da Vila estão de volta no Quilombinho, e começamos agora ensaios para a festa do boi!!! Sábados a partir das 16hs.
Apareça por lá!!!

 


 

 

Abraço

Escrito por Quilombinho às 11h22
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DIRETO DA EUROPA

PAULO BETTI 

22/2/2008
Espanha


Amigos, sempre tive vontade de conhecer a Espanha. Em primeiro lugar, por causa do São Bento e da Rua dos Morros, onde se concentram os espanhóois de Sorocaba, tão bem retratados no livro do jornnalista Sérgio Coelho de Oliveira, nosso querido Pinga, que completa cinquenta anos de profissão. Mas queria conhecer a Espanha, também porque minha irmã Tereza casou-se com o “espanhol” José Marcolan.

Na verdade, o Zé é neto de espanhóis, mas, carrega a cultura. Os dois foram morar na Rua Granada e quando menino eu ia fazer companhia para minha irmã, pois o Zé trabalhava no turno da noite na fábrica Votocel.

Aquela região da cidade respira Espanha nos nomes da ruas e na fala de seus moradores. Eu adorava ir para aqueles lados.

Na escola de teatro, em Sao Paulo, a professora Myriam Muniz nos inoculou a paixão por Garcia Lorca e pelas castanholas. Todos os alunos eram obrigados a tocar. Nunca consegui, mas os poemas de Lorca, lembro agora, já haviam sido plantados na minha mente por Werner Rostchild declamando no show Reacreativo: "Verde que te quiero verde. / Verde viento. / Verdes ramas./El barco sobre la mar y el caballo em la montaña“.

Copio esse trecho do poema de um livro que esperei muito tempo para ler nas condições ideais. Que propriedade maravilhosa essa dos livros. Esperar o o momento certo para serem lidos.

Na minha edição, Aguilar das obras completas de Lorca, tem uma dedicatória de meu professor, o genial diretor teatral Celso Nunes. Sua letra inconfundível: ”Paulo, con sangre y con vida!“ Celso, dezembro de 1974. Nossa como o tempo passa! Como diz o Domingos Oliveira, o tempo passa como um rato correndo na sala.

Escrevo de um quarto de hotel em Madrid. Amanhã vou a Valência onde vai passar o Cafundó num festival de cinema.

Os jornais falam da eleição presidencial e da inauguração de um trem que vai de Madrid a Barcelona mais rápido que um avião. Ai me lembro que as nossas estações de trem viraram centros culturais. A maioria foi simplesmente abandonada. O solerte empresário sorocabano Toninho Beldi me contou de seu desejo de fazer funcionar uma linha de trem turístico em Sorocaba. Seria uma razão a mais para eu convecer meu filho João a visitar a cidade. O menino é apaixonado por trens.

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Está no ar o blog do Quilombinho, obra do Marcelo Roverso: http://quilombinho.zip.net/

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Fiquei encantado com o desempenho dos meninos do Quilombinho fazendo o Maracatu no carnaval.

A garotada está muito bem preparada.

O projeto é encabeçado pelo Ramon Vieira que é integrante do grupo do Teatro Popular Solano Trindade (Embu das Artes) dirigido por Raquel Trindade. Foi ali que o Ramon aprendeu o Maracatu.

O Bumba meu Boi que está sendo ensaiado agora, ele aprendeu em Cupuaçu, SP, com o Tião Carvalho. As Folias de Reis e do Divino em orocaba, com o senhor José Copi.

Ramon quer fazer a ponte entre esses mestres e o Nucleo de Cultura Popular Leão da Vila, do Quilombinho.

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Fernanda Maia, atriz, diretora e diretora musical é professora do Quilombinho.

Seus cursos de teatro são maravilhosos. Fernanda está em cartaz em São Paulo no Teatro Imprensa com espetáculo premiado. Fernanda é especializada em teatro musical. É uma sorte que ela possa dar aulas para nossas crianças. Uma mestra da melhor estirpe. Informe-se. Rua Caramuru, 203.

Escrito por Quilombinho às 11h12
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20/02/2008


2008

PAULO BETTI 

11/1/2008
Quilombinho e o Samba na Vila Leão


Amigos, uma das lembranças mais agradáveis de minha infância era o samba na Vila Leão.

Os preparativos para o carnaval não saem da minha memória, ainda hoje. Os ensaios aconteciam num campinho de futebol que ficava ali na Rua Tamandaré. Tinham também as matinês no Independência, um clube modesto que ficava na Rua da Penha, um lugar que nem sempre eu conseguia entrar.

O carnaval na rua era o melhor. Tamborins feitos de couro de gato. A animação durava o ano inteiro para a alegria da criançada. E era tudo perto de casa, na maior segurança. Mesmo assim minha mãe ficava preocupada.

Aproveitávamos para fazer esguichos com o “sangue de boi”, feitos com uma flor chamada maravilha. Isso era a maior ousadia que nos permitíamos, sujando para sempre as camisas brancas dos passantes das nossa rua.

Alguns meninos se fantasiavam de morcego. As mães reaproveitavam as fantasias ano após ano, apenas fazendo uma emenda na altura da cintura. O resultado era, quase sempre, grotesco.

Pois agora está muito melhor. Quilombinho está animando novamente as ruas da Vila.

Os ensaios acontecem quase durante o ano inteiro e agora a garotada está apta a mostrar as origens de nossa festa mais popular.

Traga seus filhos e preparem-se para ver e ouvir: Maracatu: gênero é originário de Olinda, Pernambuco e traz um ritmo afro-brasileiro, marcado por orquestra de percussão com destaque para o tambor. As roupas de algodão cru dos caboclos e as sais rodadas e rendadas das baianas são as vestimentas características.

Afoxé: originário de Salvador, Bahia. Ritmo afro-indiano, puxado pelo instrumento afoxé. Seu cordão é formado por homens e mulheres que lembram os indianos e vestem lençóis e toalhas brancos como forma de simbolizar a paz desejada pelos Filhos de Gandhy.

Samba de Roda: Originário da Bahia, região do Recôncavo Baiano. Ritmo afro-brasileiro levado principalmente pela viola, pandeiro e atabaque e iniciado após a declamação de poesia. Registrado como Obra-Prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade.

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A garotada do Quilombinho está preparada para fazer bonito no carnaval de 2008!

Apareça para se divertir e animar o pessoal que está trabalhando no resgate desses ritmos e na manutenção da historia do carnaval da Vila Leão.

Marque na sua agenda, dia 19 de janeiro, sábado, às 16h, será a venda das camisetas a R$ 5 no Centro Cultural Quilombinho. Rua Caramuru, 203 - Vila Leão. Mais informações pelo telefones: (15) 97986997; 97412369 e 3388-6898.

O desfile será no dia 2 de fevereiro, sábado de carnaval, às 16h, saindo da Rua Tamandaré, o berço do carnaval na Vila com a Apoteose acontecendo no Feirão do Sesi.
Hoje tem ensaio no Quilombinho


“Como a ave que volta ao ninho antigo, depois de longo e tenebroso inverno, eu quis também rever meu lar materno meu primeiro e virginal abrigo...”

Quem é mesmo o autor dessa poesia?

Estou caminhando pela cidade, revisitando os lugares por onde nunca canso de caminhar.

Saio do Cardum e a Catedral e o Recreativo estão logo ali. O Sorocaba Clube do outro lado e nesse prédio enfrente ficava o teatro do Circolo Italiano. Aqui está o Teatro América e ali, mais abaixo, a sapataria do José Bete, meu irmão querido.

Subo e vou passar pelo Mosteiro de São Bento e aquela praça onde antes havia as rinhas com brigas de galo.

Era o caminho que fazia voltando pra casa na Vila Leão.

É na Vila que vou estar hoje às 18h para um ensaio geral e bate papo com o pessoal do Quilombinho e quem mais quiser aparecer. Será bem na Rua Caramuru 203. Endereço onde eu recebia os livros da coleção Saraiva. Todos os meses um passaporte para o sonho embalado naquelas capas coloridas com desenhos do Nico Rosso.

Hoje o Quilombinho vai fazer o seu ensaio geral. Logo depois faremos um bate-papo, pois amanhã será quase impossível conversar devido a festa.

O Quilombinho tem muitos planos.

Aquele quintal já viu belas peças de teatro: “Sonhos de uma noite de verão”, “Macbeth”, “A Morta”, “Morte Vida Severina”...

Quanta coisa boa as crianças fizeram ensaiando com a talentosa Fernanda Maia. (Ela está em cartaz em São Paulo no Teatro Imprensa, não percam!).

“Carnaval na taba”... Quanto riso, quanta alegria... E as marchinhas?

“Papagaio come milho, periquito leva a fama, quem é bobo fica em casa, quem não chora, não mama!” Sucesso do “magrinho elétrico” Joel de Almeida.

Outro dia digitei minha cartilha “Caminho Suave” no www.estantevirtual.com.br e advinha onde achei? Justo num sebo de Sorocaba! Tremi pensando que poderia ser exatamente a minha, mas não, essa cartilha é adotada ainda hoje.

O passado escorre por entre nossos dedos. Mas, o futuro está logo ali.

A Tamandaré era a rua do samba. A casa do lado direito da rua para quem sobe, era muito movimentada. Sempre entrando ali aqueles personagens saídos da corte de Luis XV. Todos faziam parte das escolas de samba. Ali era o ponto de reunião, a sede do samba em nossa cidade.

E a Vila continua esquentando os instrumentos para o samba, o maracatu e os Filhos de Gandhi.

A Vila está preservando sua história. Como se dizia nos carnavais de antanho: “o tríduo momístico vai começar”.

Venham para a folia, venham para a folia.

Venham para a Vila Leão. Hoje às 18h, e amanhã às 16h. Rua Caramuru, 203. Até já!
PAULO BETTI 

8/2/2008
Consolação


Amigos, o Carnaval foi empolgante com o Bloco do Quilombinho, o Leão da Vila, fazendo a apoteose no Feirão com seus maravilhosos samba de roda e maracatu, um trabalho elaborado e que tem a orientação dos talentosíssimos Telma Tessila, responsável pela dança, e Ramon Vieira, responsável pela música.

Muito gostoso também foi o reencontro com os amigos Janice Vieira e Roberto Gill Camargo. E muitos outros novos amigos. Meu calendário carnavalesco já estabeleceu uma rotina que eu adoro.

O ano passado fiz a mesma coisa. E esse ano foi ainda mais legal, pois levei uma câmera e me obriguei a gravar, o que muda substancialmente o olhar, garantindo ainda mais interesse.

Uma delícia foram minhas visitas ao Mercado Municipal e ver o Zé Franco esbanjando saúde nos seus 83 anos; a loja de produtos de umbanda Sete Flechas e sua infinidade de cores; a onipresença da Padaria Real; o gostoso restaurante Daniel, onde meu amigo Perdiga continua firme e forte; o Hotel Cardum com sua localização estupenda, vizinho do ex-teatro América, (que pena, virou lojas Americanas, uma ironia).

Da janela do Cardum posso ouvir os sinos da Catedral, uma delícia. As batidas vão se espaçando e sumindo aos poucos, muito bonito. As prostitutas fazem a vida ao som mavioso das badaladas.

O Miroldo e seus amigos me renderam um filme curta divertido. O amigo Devanir me provocou a saudade das irmãs Oliver, Olivette e Olívia. O Toninho do Clube dos Trinta, o João Brotas, amigo dos tempos de Ginásio Industrial. O vereador Martinez foi prestigiar o Quilombinho, assim como o secretário da Cultura, Ânderson Santos e a nossa ex-deputada Iara Bernardi.

As praças! É impressionante a quantidade de novas praças que valorizam muito a cidade, embelezando, criando espaços para as pessoas praticarem corridas, andarem, conversarem.

Muito bonito está o Museu Ferroviário que fica lá no início da Rua da Penha.

A Capela da Água Vermelha também está muito bem conservada, é um pequeno museu muito bonito e singelo. Anotei uma frase escrita num dos tambores da antiga Banda Número 5: “Deus é a raiz. Nossos antepassados são o tronco e nós somos os galhos. Para que os galhos floresçam deve se fortalecer o tronco.”

Passando pelo Mangal, na frente da “Congregação Cristão do Brasil”, pensei em meu pai Ernesto, que adorava contar os hinos, acompanhado pela banda daquele templo.

Um dos lugares bem conservados da cidade é o Cemitério da Consolação. O administrador Osmir cuida até dos detalhes da pintura de frases nos portões da necrópole.

“Consola o coração de vosso servo, porque é para vós senhor que elevo minha alma” (Salmo 85;4). “Só em Deus repousa minha alma, só dele me vem a salvação” (Salmo 61-2).

Osmir mostra que devemos gostar do que fazemos. Na manhã cheia de pássaros cantando na paz do Cemitério da Consolação ficou a certeza que o túmulo onde estão meus avós Celeste e João e meus pais Adelaide e Ernesto está bem cuidado, num lugar bonito. Junto com as fotos está a frase de São João, 11-25: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.”

Escrito por Quilombinho às 17h37
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2007

PAULO BETTI 

30/11/2007
Filmes para crianças e Quilombinho


Amigos, falei aqui outro dia sobre desenhos animados brasileiros. Uma forma de contrabalançar a quantidade de desenhos americanos, os únicos a que nossos filhos tem acesso.

Meu filho João, de 4 anos e meio, adorou.

São quatro filmes, muito bem feitos, coloridos, narrados por Laura Cardoso, Regina Case, Mateus Natchergale e José Dumont.

Os temas são do nosso folclore com personagens bem conhecidos: “O boto”, “Matinta Pereira”, “Curupira” e “Iara”.

A coleção chama-se “Juro que vi”. Quem quiser os filmes para passar nas escolas ou mesmo para tê-los em casa deve escrever para Carol Antonucci no e-mail carolantonucci@rio.rj.gov.br

Outro dia passei para o João o filme do Charlie Chaplin “Em busca do ouro”. Ele adorou! Ficou o tempo todo assistindo em pé, torcendo para o Carlitos, empolgado.

No começo ajudei incentivando. Mas não precisei me esforçar muito não. Chaplin é genial.

O filme segura a atenção o tempo todo. Na cena que a casa balança quase caindo no abismo, João gritava e torcia se divertindo pra valer.

Quando acabou ele quis assistir de novo e no outro dia viu “O circo”. Foi a mesma coisa. Risos e muita alegria.

Só que no final chorou copiosamente quando o circo foi embora e o Carlitos ficou sozinho.

O professor Antônio Cândido , autor do livro consagrado “Os parceiros do Rio Bonito”, conta que um adido cultural da França chegou ao Brasil e decidiu que ficaria para sempre quando lendo um jornal esportivo deparou-se com uma pérola poética que era mais ou menos assim: “no tapete verde do próprio da municipal da Cidade das Andorinhas, o Bugre não respeitou a Noiva da Colina.” Traduzindo: No campo da prefeitura de Campinas o Guarani ganhou do XV de Piracicaba.

Vocês certamente já ouviram o grito de guerra do time do XV de Piracicaba não é? Uma verdadeira obra de arte:

“Caxara de fórfe
carcanhá de sapo
arame de cerca
ócre de raiban
a portêra abre em nhec
a portêra fecha em creq
XV!”

Quando grita XV a torcida cruza os braços e depois coloca os cotovelos juntos fazendo as letras do algarismo romano.

Do tempo em que o futebol era ingênuo e franco.

Quilombeleza: Objetivo é o encerramento das atividades mostrando a comunidade o trabalho desenvolvido pelo Quilombinho.

E, claro, com isso, arrecadar fundos para o início do ano, onde ocorre a maior dificuldade de nos manutenção do trabalho.

O que vai acontecer: Desfile afro da Confecção Afroguian- estilista Conçeição Galvão e diversas atrações realizadas pelas crianças e a comunidade. No dia 14 de dezembro, às 20h, no Sorocaba Clube.

O local para aquisição dos convites , no próprio Quilombinho, rua Caramuru, 203, na Wonder Models, Rua Sete de setembro,890 ou pelos fones; 9133-5959, 9741-2369 e 8114-1468.

Escrito por Quilombinho às 17h34
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2007

PAULO BETTI 

16/2/2007
Quilombinho e carnaval


Amigos, vocês não sabem como estou feliz com as notícias sobre a possível ressurreição do carnaval de rua de Sorocaba.

Já estou ensebando as canelas para sair no Quilombinho, amanhã. O bloco vai sair da Vila Leão, que foi um dos berços das escolas de samba de nossa cidade.

Quando era menino eu acompanhava os ensaios que se realizavam num campinho de terra. Adorava ver os componentes vestidos de nobres franceses. O batuque comia e a criançada se esbaldava com os pés no chão.

Clube do Trinta, 28 de Setembro e Terceiro Centenário eram as escolas da época.

Nos últimos anos o carnaval foi relegado a um segundo plano e isso foi um prejuízo muito grande para nossa cultura.

Digo isso porque em 1977, antes que qualquer um fizesse uma peça ou um filme a respeito, uma escola de samba de nossa cidade desfilava tendo como tema João de Camargo.

O carnaval é um grande teatro de rua. Cada escola desenvolve e trabalha um tema e até mesmo os blocos fazem isso.

A retomada dos desfiles vem com uma verba pequena, mas é um bom começo. Parabéns ao prefeito Lippi e ao vereador Martinez que criou o bendito "Fundo de Festejos Populares". Olha só que nome bonito. Esse fundo tem que ter cada vez mais verba. Cultura é coisa séria.

Quem sabe recuperamos os batuques, as congadas, as folias, o divino.

Nossa cidade tem a tradição tropeira, mas tem também a tradição do samba, dos batuques.

Não é por acaso que temos tantas fanfarras. (Temos ainda?) Quando garoto eu me extasiava nos desfiles de 7 de setembro com a qualidade de nossas fanfarras.

Esse ano vão desfilar o 28 de Setembro, Carinhosos da Nova esperança, Estrela da vila e Unidos do Cativeiro.

O povo deve prestigiar e levar o incentivo aos sambistas para que nossa cidade recupere essa tradição popular e maravilhosa que é o carnaval.

No carnaval o povão pode se divertir a valer sem gastar nada. Não razão suficiente para que o poder público invista?

Eu tenho motivo de sobra para estar feliz, pois o Quilombinho vai desfilar.

O bloco sai por iniciativa desse maravilhoso projeto, que para minha alegria total se abriga no Instituto Vila Leão.

O carnaval vai passar novamente na frente de minha casa. Vou ser criança de novo. Uma oportunidade para rever os amigos e para a diversão. Só posso agradecer quem está colaborando para que isso aconteça.

Hoje estou no Depois! Amanhã no Quilombinho e domingo na Mangueira. Estou completamente carnavalesco. Na sexta-feira retrasada participei com Ivete Sangalo do Carnaval antecipado de Joazeiro, na Bahia, terra de João Gilberto. É mole ou quer mais?

Escrito por Quilombinho às 17h31
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